Eleições municipais e o que antecipam para 2026 avalia o impacto de mídias digitais, inteligência artificial, eleitor evangélico e crescimento da ultradireita nos últimos dois anos. Lançamento acontece dia 3 de agosto, em Belém
A proximidade das eleições acirra o debate sobre o comportamento e o provável desempenho dos candidatos nas urnas. Uma referência muito importante para entender o que influenciará o pleito este ano é o livro Eleições municipais e o que antecipam para 2026, que será lançado no próximo domingo, dia 3 de agosto, durante o encontro da Associação Brasileira de Ciência Política, em Belém (PA). Fatores como o impacto de mídias digitais, inteligência artificial, eleitor evangélico e crescimento da ultradireita foram analisados pelos especialistas que participam do volume.
Organizada pelos cientistas políticos Antonio Lavareda, Helcimara Telles e Silvana Krause, a obra faz parte da série Eleições Municipais. O ponto de partida do livro é avaliar indicadores que são relevantes tanto para traçar perspectivas e prognósticos, quanto também para as estratégias dos candidatos.
“O ano de 2026 aponta para um cenário eleitoral com características presentes nas disputas e estratégias observadas nas eleições municipais” afirma Lavareda, coorganizador do livro.
Ele destaca entre as lições de 2024 o crescimento da extrema direita, com suas estratégias e narrativas; o impacto do eleitor evangélico na dinâmica eleitoral; o crescimento do PSD, legenda campeã no ranking de municípios conquistados; e, por fim, as mídias digitais, que, para 2026, com o uso cada vez mais frequente da inteligência artificial, ganham contornos ainda mais profundos no processo decisório do eleitor.
Autores convidados
A análise da consolidação da ultradireita nas capitais ficou a cargo de Cláudio Gonçalves Couto, que demonstra que o fenômeno deixou de ser episódico e passou a integrar de modo estável o sistema político local, tendo como exemplo capitais como São Paulo, Curitiba e Goiânia.
O desempenho do PSD como maior força municipal em número de prefeituras e população governada foi alvo de estudo de Silvana Krause, Dirceu André Gerardi e Carlos Eduardo Borenstein. Eles mostram que o crescimento decorre de estratégia pragmática, alianças flexíveis e identidade programática ambígua, capaz de dialogar com diferentes segmentos ideológicos sem comprometer sua posição de árbitro nas disputas locais.
O fortalecimento da identidade religiosa nas câmaras municipais foi analisado por Helcimara Telles, Rafael Fonseca e Paulo Gracino Junior. Os três confirmaram a centralidade do eleitorado evangélico na política atual.
A profissionalização digital em pequenos municípios é um dos desdobramentos do uso massivo das mídias digitais na eleição, e foi identificada por Joscimar Souza Silva, Mariana de Paula Queiroz, Lana Vitória Figueiredo e Victor Gaba. Em seu estudo, eles revelam a elevação do padrão técnico da competição, tendência que deverá generalizar-se nas eleições gerais, reduzindo assimetrias informacionais entre centros e periferias.
Um painel com autores e convidados vai debater esses assuntos no evento de lançamento do livro, publicado pela FGV Editora. O encontro acontece a partir das 18 horas, na UFPA.


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