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segunda-feira, 6 de julho de 2026

O quinto jogo



Acabou a Copa para nós.


Mais uma vez, caímos no quinto jogo, que parece ter se tornado o nosso limite. Desde 2002, a única vez em que fomos além dessa barreira terminou na tragédia de Belo Horizonte. O quinto jogo virou uma fronteira intransponível, quase sempre marcada por eliminações melancólicas, sem garra, sem brilho e sem a alma que um dia caracterizou a seleção brasileira. Enquanto isso, seguimos agarrados às cinco conquistas do passado, embora, na era do futebol moderno, tenham sido apenas duas. As outras três pertencem ao tempo de Pelé.


Continuamos sem vencer a Noruega e cada vez mais distantes da Copa. Desta vez, o quinto jogo foi apenas as oitavas de final. Estamos fora das três fases restantes, deixando o Mundial praticamente pela metade. O país amanhece para uma segunda-feira cinzenta, tentando disfarçar a dor da derrota. De norte a sul, ecoa a voz do autodesprezo. Em toda parte, multiplicam-se discursos que exaltam nossa incapacidade, como se perder em campo fosse mais uma prova de um fracasso nacional.


Mas a derrota na Copa não muda em nada o sentimento de quem ama o futebol. Tínhamos que ganhar de qualquer jeito. Era preciso converter o pênalti sem hesitação, driblar o goleiro quando fosse necessário e acertar o chute impossível, mesmo sem ângulo. Se o torneio tem oito jogos para quem chega ao fim, deveríamos disputar os oito. Deveríamos continuar reunidos nas ruas até a decisão do título. O quinto jogo não é o último. Não podia ser o fim.


O complexo de vira-latas só aumenta. Há quem sonhe em transformar o Brasil numa colônia dos Estados Unidos, num resort de Trump, ainda que vestido de amarelo e envolto em discursos patrióticos. Perdemos na metade do caminho para adversários que, em outros tempos, enfrentaríamos sem temor, enquanto cresce a ideia de que qualquer jogador da Premier League é automaticamente superior aos nossos. O problema não é apenas a derrota; é a perda da confiança naquilo que fomos capazes de construir.


A segunda-feira amanheceu com clima de funeral. E um povo que ama tanto o futebol não pode se acostumar a ver sua seleção sem espírito de luta. Precisamos de um time que dispute cada bola como nós disputamos, todos os dias, o direito de continuar vivendo com dignidade. Não temos o direito de aceitar uma equipe conformada. Não sei de onde sairão os jogadores que devolverão essa chama, mas eles precisam surgir de algum lugar. Onde estão aqueles que jogam pelo povo e pelo país, e não apenas pelos contratos, pelos patrocínios e pelo dinheiro?


Jogador de futebol, afinal, não tem a importância de um professor, de um médico ou de um cientista. Ninguém deveria idolatrar um atleta apenas por sua fama. O jogador existe para representar seu povo. Seu dever é vestir a camisa do país sem medo de bater um pênalti, sem receio de decidir um jogo, sem desperdiçar a oportunidade quando estiver frente a frente com o goleiro.


Ninguém mais vence por nós. Não vemos um brasileiro liderando a prova dos cem metros, nem dos duzentos. Vamos às Olimpíadas e raramente figuramos entre os protagonistas do quadro de medalhas. Acumulam-se derrotas e justificativas. Ninguém corre por nós.


Eu não quero saber se o craque joga no Real Madrid ou no Barcelona. Não sou espanhol. Chega de apostas esportivas, de campanhas publicitárias e de celebridades fabricadas pelo marketing.


Eu quero alguém que entre em campo para jogar pelo povo do Brasil. Porque, quando a camisa amarela deixa de representar uma nação e passa a representar apenas uma carreira, a derrota começa muito antes do apito inicial.

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