Publicação do CGEE aponta o mapa do caminho para defender a soberania mineral
O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) lançou recentemente o livro Terras raras no Brasil: Estado da arte, cenários e um mapa do caminho estratégico para 2026-2040, que pretende apontar um mapa do caminho para usos e aplicações desses recursos minerais que têm suscitado disputas internacionais. “Precisamos de uma cadeia integrada e uma governança institucional estável”, resumiu o físico Anderson Leônidas Gomes, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), durante mesa-redonda nessa segunda-feira (27), na 78ª Reunião Anual da SBPC.
As terras raras são usadas para produzir ímãs, catalisadores, aplicações ópticas avançadas, entre outros usos. “O prazo para decidir como usá-las é curto, e precisamos começar imediatamente”, afirmou o pesquisador.
A engenheira mecânica Mariele Canal Bonfante, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), exemplificou que um carro elétrico precisa de 2 kg de ímãs de terras raras, enquanto uma turbina eólica usa entre 500 kg e 1 tonelada para cada quilowatt-hora (kWh).
“Temos um bom nível de desenvolvimento na escala laboratorial”, disse ela, que mostrou que é possível produzir ímãs a partir de material coletado no Brasil. Para isso, é preciso uma rede de instituições trabalhando em conjunto para cobrir todas as etapas. Para passar à escala industrial, ainda é necessário avançar. “Precisamos definir instrumentos de políticas públicas e marcos regulatórios.”
Ronaldo Carmona, assessor da Diretoria de Inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), classificou as terras raras como um insumo básico para a quarta Revolução Industrial. Isso torna ainda mais importante resistir à tentativa vigente em algumas esferas de tornar o Brasil um “fornecedor cativo dos Estados Unidos”. É preciso, para isso, criar um conselho relacionado à industrialização e aprovar legislação para proteger o interesse nacional. “Não nos interessa exportar minério em estado bruto.”
Osório Coelho, diretor do Departamento de Programas de Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), anunciou que o setor é prioritário e o governo tem criado centros de competências e grupos de trabalho: o Programa Inova+Mineral foi instituído em maio com o objetivo de transformar a riqueza de minerais estratégicos do país em tecnologia, industrialização e desenvolvimento sustentável. “Precisamos ter um programa específico de inovação mineral”, disse ele, acrescentando que não existe desenvolvimento sem inclusão, nem existe soberania nacional sem passar pela soberania tecnológica. É essencial, portanto, sair do extrativismo para o desenvolvimento de tecnologias de forma sustentável, buscando minimizar os impactos ambientais e sociais.
Maria Guimarães – Jornal da Ciência



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