Medida reorganiza a rotina da educação básica e desafia as instituições a equilibrarem tecnologia, saúde emocional e formação de bons hábitos
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A restrição ao uso de celulares nas escolas brasileiras completa um ano em vigor em meio a uma mudança que vai além da retirada dos aparelhos da sala de aula. Prevista pela Lei nº 15.100/2025, a medida reorganiza a rotina da educação básica, altera a relação dos estudantes com o tempo escolar e amplia o debate sobre concentração, convivência e saúde emocional dentro das instituições de ensino.
Um levantamento divulgado pelo Ministério da Educação aponta que 92% das escolas já implementam a legislação, enquanto gestores relatam avanços na participação dos alunos, na interação entre colegas e na atenção durante as aulas. O dado mostra ampla adesão à nova regra, mas também indica que a norma, sozinha, não resolve todos os desafios de uma geração formada em contato permanente com telas, notificações e estímulos digitais.
Nas escolas, o primeiro impacto aparece na organização do cotidiano. Intervalos, entradas, saídas e momentos de transição entre as aulas passaram a exigir acompanhamento mais próximo das equipes pedagógicas, já que o celular ocupava uma parte importante na rotina social dos estudantes. A ausência do aparelho abre espaço para conversas presenciais, brincadeiras e maior interação, mas também revela dificuldades relacionadas a vínculo, ansiedade e tolerância à frustração.
“Quando o celular sai do centro da rotina escolar, a escola consegue observar melhor como o aluno lida com o tempo, com o outro e com os próprios limites. A restrição contribui para a aprendizagem, mas o principal ganho está na possibilidade de reconstruir hábitos de convivência, escuta e presença”, afirma Marizane Piergentile, diretora da Rede de Educação Adventista na região do Vale do Paraíba.
O debate também alcança o desempenho em sala de aula. Professores relatam que a redução das interrupções favorece as explicações, estimula a participação e ajuda a manter o foco, mas a mudança precisa vir acompanhada de orientação, diálogo e clareza sobre o papel da tecnologia no ambiente escolar. Para as famílias, a adaptação exige coerência entre escola e casa, de nada adianta restringir na escola, se, em casa, o estudante possui uso irrestrito de telas, ausência de combinados e pouca mediação sobre redes sociais, jogos e mensagens. A construção de uma rotina equilibrada depende de regras claras e conversas frequentes sobre limites.
“A escola não pode tratar o celular apenas como um problema disciplinar. O aparelho faz parte da vida dos estudantes, por isso a orientação precisa ensinar quando, como e por que usar a tecnologia. O desafio é formar alunos capazes de fazer escolhas responsáveis também fora da sala de aula”, explica Elen Larissa, orientadora educacional de pais e alunos da Rede Adventista.
A experiência do primeiro ano mostra que a discussão sobre celulares nas escolas não se limita à proibição. O tema envolve aprendizagem, saúde mental, autonomia, convivência e educação digital. Ao retirar o aparelho do uso livre, as instituições passam a lidar com uma pergunta mais ampla: como formar estudantes capazes de aprender, conviver e se concentrar em uma sociedade conectada?
“A escola precisa preparar o aluno para o mundo digital, mas também precisa proteger o espaço de aprendizagem. O equilíbrio está em ensinar que a tecnologia tem valor quando serve ao conhecimento, à comunicação saudável e ao desenvolvimento humano”, conclui Marizane.


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