Um vídeo gravado em poucos segundos pode alcançar milhões de visualizações e, em alguns casos, acabar também nos tribunais. A divulgação de imagens de terceiros sem autorização tem gerado discussões cada vez mais frequentes sobre privacidade, direito à imagem e responsabilidade nas redes sociais. A legislação brasileira protege a imagem, a honra e a vida privada dos cidadãos, prevendo inclusive a possibilidade de indenização quando a exposição causa constrangimento ou prejuízos à pessoa retratada.
Recentemente, casos de pessoas filmadas em academias, restaurantes, aeroportos e outros espaços de circulação ganharam repercussão nacional após serem expostas nas redes sociais sem consentimento. Embora muitos usuários acreditem que a gravação em local público autoriza automaticamente a publicação do conteúdo, especialistas alertam que a situação é mais complexa e exige análise das circunstâncias envolvidas, especialmente quando a divulgação atinge a reputação, a intimidade ou a dignidade da pessoa filmada.
Segundo o advogado Dr. Tony Santtana, a busca por engajamento não afasta a responsabilidade de quem publica. “A facilidade de produzir conteúdo fez com que muitas pessoas deixassem de refletir sobre os limites legais da exposição alheia. O fato de alguém estar em um ambiente público não significa que sua imagem possa ser utilizada livremente para entretenimento, críticas ou constrangimentos. Dependendo do contexto, a publicação pode resultar em responsabilização civil e no dever de reparar os danos causados”, explica.
A proteção ao direito de imagem está prevista na Constituição Federal e no Código Civil, além de receber reforço da Lei Geral de Proteção de Dados em determinadas situações. Para o advogado, o melhor caminho continua sendo o bom senso. “Antes de publicar um vídeo envolvendo terceiros, é importante avaliar se existe interesse público legítimo ou se a divulgação pode causar exposição indevida. Um clique impulsivo pode gerar consequências jurídicas muito maiores do que a repercussão obtida nas redes sociais”, conclui Dr. Tony Santtana.


Nenhum comentário:
Postar um comentário