Campanha Nacional de Multivacinação se encerra em 1º de setembro, enquanto as Américas registram o maior número de casos da doença em 22 anos
São Paulo, agosto de 2026 - A Campanha Nacional de Multivacinação 2026 chega à sua última semana. Até 1º de setembro, os postos de saúde de todo o país oferecem gratuitamente pelo SUS os imunizantes que protegem contra vinte doenças, entre eles a tríplice viral, que previne sarampo, caxumba e rubéola. Em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a recomendação foi ampliada e vale para toda a população de 6 meses a 59 anos, com o mesmo prazo final.
A mobilização acontece em um cenário de alerta. Em 7 de agosto, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) classificou como muito alto o risco do sarampo para a saúde pública nas Américas, que somam 22.324 casos confirmados e 38 óbitos em 2026, o maior volume dos últimos 22 anos. No Brasil, o Ministério da Saúde contabilizava, em 13 de agosto, 24 casos confirmados no ano, todos ligados à importação do vírus, sendo 21 ainda em acompanhamento no estado de São Paulo. O país recuperou em novembro de 2024 o certificado de eliminação da circulação endêmica do sarampo concedido pela OPAS e mantém esse status, o que torna cada caso importado um teste da barreira imunológica da população.
Essa barreira está frágil. Para interromper a circulação do vírus, é preciso que ao menos 95% da população esteja vacinada com as duas doses. Em 2025, a cobertura nacional foi de 92,9% para a primeira dose e de 78,3% para a segunda, segundo o Ministério da Saúde. No estado de São Paulo, os números são mais baixos: 77,5% e 65,5%, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde. A diferença importa porque o sarampo está entre as doenças mais contagiosas conhecidas, e o vírus infecta nove em cada dez pessoas suscetíveis expostas a um caso confirmado, segundo a Fiocruz. A transmissão é aérea e o vírus permanece ativo em ambientes fechados mesmo depois que a pessoa infectada deixou o local.
Quem está ficando para trás
Os dados da própria mobilização revelam um desencontro. Entre 3 e 14 de agosto, foram aplicadas 529,8 mil doses de tríplice viral nos três municípios paulistas com recomendação ampliada, e apenas 87,2 mil delas, ou 16,5% do total, foram em crianças de 5 a 11 anos, informa o Ministério da Saúde. A procura partiu sobretudo do público adulto, enquanto a faixa infantil, alvo prioritário da campanha, ficou para trás.
Segundo o Dr. Rogério de Jesus Pedro, infectologista e professor da São Leopoldo Mandic, há um grupo que depende inteiramente da vacinação dos demais. “A primeira dose contra o sarampo é aplicada aos 12 meses, pela tríplice viral, e a segunda aos 15 meses, pela tetraviral. Antes disso, o bebê depende do que chamamos de efeito casulo: quando todas as pessoas ao redor dele estão vacinadas, o vírus não circula e ele fica protegido de forma indireta. Quando a cobertura cai, esse escudo desaparece e o bebê passa a correr risco real de contágio, justamente na faixa em que as complicações são mais graves”, afirma o especialista.
Como se vacinar antes de 1º de setembro
A orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima com a caderneta de vacinação em mãos. O foco da campanha é atualizar a caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos, e a tríplice viral está disponível para qualquer pessoa dentro da faixa etária recomendada. Nos três municípios paulistas, a vacinação contra o sarampo é oferecida a toda a população de 6 meses a 59 anos, incluindo a chamada dose zero para bebês de 6 a 11 meses, uma antecipação de proteção durante o período de risco que preserva as doses previstas no calendário. Quem perdeu o registro ou tem dúvida sobre as duas doses deve considerar o esquema incompleto e procurar o posto, porque uma dose adicional é segura.
“Vacinar-se protege a própria pessoa e sustenta a barreira que protege quem ainda não pode se vacinar, como os bebês. A vacina é segura, gratuita e está disponível em qualquer posto de saúde, e a janela desta campanha se fecha em 1º de setembro”, conclui o Dr. Rogério.



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