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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Brasil ultrapassa 1,8 milhão de acidentes de trabalho em pouco mais de três anos e especialista alerta: "A prevenção ainda é tratada como custo, quando deveria ser prioridade"

 Brasil ultrapassa 1,8 milhão de acidentes de trabalho em pouco mais de três anos e especialista alerta: "A prevenção ainda é tratada como custo, quando deveria ser prioridade"

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Os números continuam chamando atenção. Entre janeiro de 2023 e maio de 2026, o Brasil registrou mais de 1,8 milhão de acidentes de trabalho, evidenciando que, apesar dos avanços na legislação e das campanhas de conscientização, a segurança ocupacional ainda representa um dos maiores desafios do mercado de trabalho brasileiro.


Para o advogado previdenciário e trabalhista, Dr. Márcio Coelho, o volume de ocorrências demonstra que muitas empresas ainda concentram esforços na reação ao problema, em vez de atuar na sua prevenção. "A legislação brasileira é bastante clara quanto ao dever do empregador de proporcionar um ambiente de trabalho seguro. Quando a prevenção deixa de ser prioridade, o resultado aparece nas estatísticas, com milhares de trabalhadores afastados, famílias impactadas e empresas sujeitas a responsabilidades trabalhistas, previdenciárias e até civis", afirma.


Segundo o especialista, cada acidente gera consequências que vão muito além do momento da ocorrência. Em muitos casos, o trabalhador enfrenta meses de afastamento, perda parcial ou permanente da capacidade laboral, necessidade de reabilitação e impactos financeiros e emocionais que podem perdurar por toda a vida. "O acidente de trabalho não afeta apenas quem sofreu a lesão. Ele repercute na produtividade da empresa, aumenta custos com afastamentos, pode gerar ações judiciais, eleva despesas previdenciárias e, principalmente, compromete vidas. Quando analisamos esses efeitos em conjunto, percebemos que prevenir custa muito menos do que reparar os danos", explica.


Márcio Coelho ressalta ainda que muitos trabalhadores desconhecem os direitos garantidos pela legislação após um acidente de trabalho. "Dependendo das circunstâncias, o empregado pode ter direito ao benefício por incapacidade, estabilidade provisória após o retorno ao trabalho, indenizações e outros direitos previstos em lei. Por isso, é fundamental que o trabalhador busque orientação sempre que houver dúvidas sobre o acidente ou sobre a conduta adotada pelo empregador".


Na avaliação do advogado, a cultura da prevenção precisa deixar de ser encarada apenas como cumprimento burocrático das normas regulamentadoras e passar a integrar a estratégia das organizações. "Segurança no trabalho não deve existir apenas para evitar multas ou fiscalizações. Ela protege vidas, preserva talentos e fortalece a própria sustentabilidade do negócio. Empresas que investem em treinamentos, equipamentos adequados e gestão de riscos reduzem acidentes e demonstram responsabilidade social".


Para o especialista, os dados recentes servem como um alerta para todos os setores da economia. "Cada número representa uma pessoa que teve sua rotina interrompida por um acidente que, muitas vezes, poderia ter sido evitado. Enquanto prevenção não for tratada como investimento, continuaremos assistindo ao crescimento de estatísticas que jamais deveriam ser normalizadas".

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