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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Conheça os principais ‘mitos e verdades’ sobre a relação entre alimentação e enxaqueca

Neurologista explica que a causa da enxaqueca não está no que você come, mas alguns alimentos podem desencadear ou piorar as crises.

 


Cerca de 30 milhões de pessoas sofrem de enxaqueca no Brasil (aproximadamente 15% da população total). Ao contrário do que muita gente pensa, a alimentação não é motivadora da doença; a enxaqueca tem causa hereditária, porém, substâncias presentes em alguns alimentos podem desencadear ou piorar uma crise.
 

A neurologista Thais Villa, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca e fundadora do Headache Center Brasil, que este ano completou 10 anos de atendimentos a pacientes de diversos países com enxaqueca, lista 5 mitos e 5 verdades sobre a relação entre os alimentos e a enxaqueca. Confira:


 

  1. É mito que a enxaqueca pode ser causada pela alimentação. Nenhum alimento causa enxaqueca, que é uma doença crônica do cérebro de causa hereditária. A enxaqueca não tem cura, mas o tratamento multidisciplinar vai ajudar a controlar os sintomas, que podem ser muitos e variados;
  2. É mito que os refrigerantes estão liberados para pessoas com enxaqueca. A cola e o guaraná são estimulantes e devem ser evitados;
  3. É mito que o glúten presente no trigo e na cevada, e também a lactose do leite, causam enxaqueca. Nenhum alimento causa a doença, que é hereditária. Algumas pessoas têm outras predisposições ou mesmo intolerância a alguns alimentos e o corpo pode reagir de maneira exacerbada, mas não são gatilhos para a doença;
  4. É mito que a pessoa com enxaqueca não deve comer doces. O açúcar não precisa ser retirado da dieta do paciente, não é causa de enxaqueca. O período que antecede a doença, chamado de pródromo, vem associado à compulsão por alimentos açucarados que são fonte de energia para o cérebro, mas não têm estimulante suficiente para cronificar o cérebro excitado durante uma crise;
  5. É mito que eliminar os alimentos estimulantes é o único cuidado no tratamento da enxaqueca. Faz parte do processo de um plano 360º identificar na dieta do paciente a ingestão desses alimentos estimulantes e retirá-los, mas não adianta fazer isso de forma isolada porque a enxaqueca não é uma doença de causa alimentar, os gatilhos alimentares não são os únicos. A Nutrição está dentro de um contexto de tratamento integrado;
  6. Verdade: cuidado em restaurantes de comida japonesa. O problema está no consumo do molho shoyu que contém glutamato monossódico, um estimulante cerebral;
  7. Verdade: temperos prontos (em pó), biscoitos e salgadinhos com sal são inimigos da enxaqueca porque contêm glutamato monossódico. É importante verificar a existência de mais esse estimulante do cérebro na tabela nutricional dos alimentos;
  8. Verdade: a cafeína está na maioria dos analgésicos utilizados para dor de cabeça, sintoma mais conhecido da enxaqueca (mas não o único!). O uso excessivo desses medicamentos pode desencadear sérias consequências para o estômago e o intestino, além de cronificar a enxaqueca e provocar mais crises de dor de cabeça;
  9. Verdade: alimentos estimulantes podem piorar uma crise de enxaqueca. Alguns alimentos contêm substâncias que são estimulantes para o cérebro e podem tanto ser um gatilho para as crises de enxaqueca como também podem cronificar a doença, aumentando a frequência, a intensidade e a duração das crises. Exemplos: café, cacau (chocolate), cupuaçu, fruto do guaraná e a erva mate. “A cafeína presente nesses alimentos possui efeito estimulante e analgésico, mascarando os sintomas e cronificando a doença”, explica Villa;
  10. Verdade: alimentos termogênicos, como pimentas mais fortes, gengibre, canela, cúrcuma, devem ser evitados porque também são estimulantes.


 

O problema não está no prato, porque as pessoas que não têm enxaqueca toleram muito melhor os alimentos estimulantes. Importante ressaltar: a enxaqueca não é doença de causa alimentar! A alimentação pode ser um gatilho ou ‘piorador’ das crises, porém, a enxaqueca não é só crise de dor de cabeça. É uma doença neurológica com dezenas de sintomas e a crise é o ápice da doença em que o paciente apresenta não somente a dor de cabeça severa, como também náuseas, vômitos, tonturas, auras visuais, zumbidos, pode ter também muito desânimo, alteração de humor ou mesmo alterações no funcionamento do intestino, entre tantos outros sintomas”, acrescenta Thais Villa.

 

Tratamento
 

A neurologista orienta: “toda pessoa com enxaqueca deve procurar um neurologista, de preferência especialista em enxaqueca, para o diagnóstico correto e iniciar o tratamento da doença, que é complexa e tem muitas repercussões na vida do paciente. Inclusive complicações vasculares (como risco aumentado para AVC e infarto), além de perdas na qualidade de vida, como alterações do sono e de humor, tendência à ansiedade e a problemas cognitivos. O tratamento integrado visa o controle dos sintomas e da doença”.
 

De acordo com a médica, o tratamento deve ser realizado de forma integrada e multidisciplinar, com foco no paciente como um todo. O tratamento individualizado deve combinar terapias com medicamentos de ponta e ajustes no estilo de vida, com o objetivo de proporcionar bem-estar ao paciente por meio do controle da dor.

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