Taxa de desocupação caiu para 5,4% no segundo trimestre de 2026. No Rio Grande do Norte, redução foi de 1,9 ponto percentual, a maior do país no período.
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| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil |
A taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,4% no segundo trimestre de 2026, segundo os dados da PNAD Contínua. O resultado representa uma redução de 0,7 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre, quando o índice estava em 6,1%, e também ficou abaixo dos 5,8% registrados no mesmo período de 2025.
O Rio Grande do Norte teve uma das maiores quedas do país. A taxa de desocupação no estado recuou 1,9 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, a maior redução entre as unidades da Federação. Ao lado do RN, também registraram quedas importantes a Paraíba e o Acre, ambas de 1,6 ponto percentual, e Tocantins, com redução de 1,5 ponto percentual.
Apesar da melhora no mercado de trabalho, as diferenças entre os estados continuam grandes. As maiores taxas de desocupação foram registradas no Amapá, com 9,8%, Bahia, com 9,1%, Pernambuco e Piauí, ambos com 8,3%, e Sergipe, com 7,9%. Na outra ponta, Santa Catarina apresentou a menor taxa, de 2,1%, seguida por Mato Grosso, com 2,2%, Espírito Santo, com 2,3%, Rondônia, com 2,6%, e Mato Grosso do Sul, com 2,7%.
O levantamento também mostra diferenças importantes entre homens e mulheres. No segundo trimestre, a taxa de desocupação foi de 4,6% entre os homens e de 6,4% entre as mulheres. A desigualdade também aparece quando os dados são separados por cor ou raça: a taxa ficou em 4,2% entre os trabalhadores brancos, enquanto chegou a 6,9% entre os pretos e 6,1% entre os pardos.
A escolaridade também influencia as chances de encontrar trabalho. Entre as pessoas com ensino médio incompleto, a taxa de desocupação chegou a 9%. Para quem tinha ensino superior incompleto, o índice foi de 5,6%, enquanto entre aqueles que haviam concluído o ensino superior caiu para 3%.
Outro indicador importante é a subutilização da força de trabalho, que considera não apenas os desempregados, mas também pessoas que trabalham menos horas do que gostariam e aquelas que poderiam estar trabalhando, mas não estão disponíveis ou não procuraram emprego nas condições consideradas pela pesquisa. No país, essa taxa ficou em 12,9%.
O Piauí apresentou a maior taxa de subutilização, com 26,6%, seguido pela Bahia, com 24,0%, e Alagoas, com 23,4%. As menores taxas foram registradas em Santa Catarina, com 4,1%, Rondônia, com 6%, e Mato Grosso, com 6,1%.
O mercado de trabalho também apresenta diferenças expressivas na qualidade dos vínculos. No país, 74,4% dos empregados do setor privado tinham carteira assinada no segundo trimestre. Santa Catarina apresentou o maior percentual, com 86,7%, seguida por São Paulo, com 82%, e Mato Grosso do Sul, com 81%.
Os menores percentuais de trabalhadores com carteira estavam no Maranhão, com 53,6%, Piauí, com 54,2%, e Acre, com 55,1%.
O trabalho por conta própria também representa uma parcela significativa da ocupação brasileira. No segundo trimestre, 25,3% das pessoas ocupadas trabalhavam nessa condição. O percentual foi maior no Maranhão, onde chegou a 33,8%, seguido pelo Amapá, com 31%, e Pará, com 30,3%.
A informalidade atingiu 37,4% dos trabalhadores ocupados no país. Maranhão, com 56,9%, Pará, com 55,9%, e Amazonas, com 51,7%, apresentaram os maiores índices. Santa Catarina teve a menor taxa, de 25,4%, seguida pelo Distrito Federal, com 28,7%, e Mato Grosso do Sul, com 29,2%.
Outro dado positivo foi a redução do número de pessoas que permanecem por longos períodos procurando emprego. No segundo trimestre, 1,1 milhão de brasileiros estavam há dois anos ou mais em busca de trabalho. O número representa uma queda de 15,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando havia 1,3 milhão nessa situação.
Também havia 1,1 milhão de pessoas procurando trabalho havia menos de um mês, uma redução de 2,4% em comparação com o segundo trimestre do ano passado.
O rendimento médio real dos trabalhadores foi estimado em R$ 3.738 por mês. O valor ficou estatisticamente estável em relação ao trimestre anterior e apresentou crescimento na comparação com o segundo trimestre de 2025, quando estava em R$ 3.635.
Na comparação anual, o rendimento médio aumentou no Nordeste, chegando a R$ 2.645, no Sul, com R$ 4.238, e no Centro-Oeste, com R$ 4.362. Nas demais regiões, o rendimento permaneceu estável.
A massa de rendimento dos trabalhadores, que corresponde à soma dos rendimentos recebidos pelas pessoas ocupadas, foi estimada em R$ 380,3 bilhões. O resultado ficou praticamente estável em relação ao trimestre anterior, mas cresceu frente aos R$ 367,1 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025.
Os números mostram um mercado de trabalho mais aquecido no segundo trimestre de 2026, com queda do desemprego e redução do contingente de pessoas que estão há muito tempo procurando uma ocupação. Ao mesmo tempo, os dados revelam que a informalidade, a diferença entre homens e mulheres e as desigualdades regionais continuam sendo desafios importantes para o mercado de trabalho brasileiro.



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