Advogado alerta para o crescimento das fraudes imobiliárias pela internet e explica os cuidados que compradores, vendedores e locatários devem adotar antes de fechar um negócio
| Carlos Zonta |
A digitalização do mercado imobiliário trouxe mais praticidade para quem compra, vende ou aluga imóveis. Visitas virtuais, assinaturas eletrônicas, anúncios em plataformas digitais e pagamentos instantâneos reduziram distâncias e agilizaram negociações. Ao mesmo tempo, porém, esse ambiente abriu espaço para um novo tipo de criminalidade. Falsas imobiliárias, corretores inexistentes, anúncios clonados, escrituras falsificadas e golpes envolvendo transferências via PIX estão entre as fraudes que mais preocupam especialistas e autoridades.
O prejuízo pode chegar a centenas de milhares de reais. Em muitos casos, criminosos copiam anúncios verdadeiros, utilizam fotografias reais de imóveis, criam perfis falsos em redes sociais e aplicativos de mensagens e convencem compradores ou locatários a realizar pagamentos antecipados para garantir um suposto negócio. Quando a vítima percebe a fraude, o dinheiro já foi transferido para contas de terceiros e recuperar os valores torna-se uma tarefa complexa.
Segundo o advogado especialista em Direito Imobiliário Carlos Alberto Zonta Junior, a sofisticação desses golpes exige que consumidores redobrem os cuidados antes de qualquer negociação. "Hoje os criminosos conseguem reproduzir logotipos, contratos, documentos e até identidades visuais de imobiliárias conhecidas. Muitas vezes a fraude parece absolutamente legítima. Por isso, a conferência das informações deixou de ser uma recomendação e passou a ser uma etapa obrigatória de qualquer negociação imobiliária", afirma.
Entre as práticas mais comuns está a atuação do chamado falso corretor. O golpista se apresenta como profissional habilitado, intermedeia a negociação e solicita pagamentos de sinal ou entrada em contas bancárias que não pertencem ao proprietário nem à imobiliária. Outro golpe recorrente envolve a alteração dos dados bancários momentos antes da transferência dos recursos. "É fundamental confirmar os dados da conta por um canal diferente daquele utilizado durante a negociação. Um simples telefonema para a imobiliária ou para o corretor pode evitar prejuízos significativos", orienta Zonta.
O especialista também chama atenção para a necessidade de verificar a documentação do imóvel e a identidade dos envolvidos antes da assinatura de qualquer contrato. Escrituras falsas, procurações fraudulentas e documentos adulterados podem dar aparência de legalidade a operações inexistentes. "Toda compra ou venda deve passar por uma análise documental criteriosa. Certidões atualizadas, matrícula do imóvel e a conferência da regularidade do corretor e das partes envolvidas são medidas que reduzem consideravelmente o risco de fraude", explica.
Outra orientação importante é desconfiar de ofertas muito abaixo do valor de mercado ou de negociações marcadas por excesso de urgência. Segundo o advogado, os golpistas costumam pressionar a vítima para que a decisão seja tomada rapidamente, impedindo que haja tempo para conferências e consultas. "Quando alguém insiste para que o pagamento seja imediato porque existe outro comprador ou porque a oportunidade vai acabar em poucos minutos, esse comportamento deve servir como sinal de alerta. No mercado imobiliário, cautela nunca é excesso", destaca.
Para Carlos Alberto Zonta Junior, o avanço das fraudes digitais exige uma mudança de comportamento dos consumidores. "A tecnologia trouxe inúmeras vantagens para o mercado imobiliário, mas também aumentou a responsabilidade de quem negocia. Verificar documentos, confirmar informações e buscar orientação jurídica antes de movimentar valores elevados são atitudes que podem evitar perdas financeiras e anos de disputas judiciais. No mercado imobiliário, segurança continua sendo o melhor investimento", conclui.


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