![]() |
| Foto: Valter Campanato/Agência Brasil |
A inflação oficial do país desacelerou em julho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,07%, abaixo dos 0,16% registrados em junho. Com o resultado, a inflação acumulada no ano chegou a 3,44%, enquanto a taxa dos últimos 12 meses ficou em 4,44%, também abaixo dos 4,64% registrados no período anterior.
Em julho de 2025, o IPCA havia avançado 0,26%.
O principal aumento no mês veio do grupo Habitação, que subiu 0,99% e teve impacto de 0,15 ponto percentual no índice geral. O resultado foi puxado principalmente pela energia elétrica residencial, que aumentou 3,09% em julho, depois de subir 1,53% em junho.
A conta de luz foi, isoladamente, o item que mais pressionou a inflação do mês, com impacto de 0,13 ponto percentual. Entre os reajustes considerados estão aumentos de tarifas em concessionárias de São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.
Também contribuiu para a alta da habitação o aumento de 0,40% na taxa de água e esgoto, resultado de reajustes aplicados em cidades como Salvador, Porto Alegre, Brasília e Rio Branco. Já o gás encanado caiu 0,04%, influenciado pela redução das tarifas no Rio de Janeiro.
Alimentos ajudam a segurar a inflação
Na direção contrária, o grupo Alimentação e bebidas caiu 0,67% em julho, ajudando a limitar a alta geral dos preços.
A alimentação consumida em casa teve queda de 1,14%. Entre os produtos que mais ficaram baratos estão o tomate, que caiu 29,09%, a batata-inglesa (-19,59%), a cenoura (-14,41%) e o café moído (-2,45%).
O tomate teve o maior impacto negativo individual sobre o índice, contribuindo com uma redução de 0,10 ponto percentual na inflação de julho.
Por outro lado, alguns alimentos ficaram mais caros. O leite longa vida subiu 2,47%, enquanto as frutas tiveram alta de 1,20%.
Já a alimentação fora de casa ficou mais cara. A variação passou de 0,15% em junho para 0,55% em julho. O preço do lanche aumentou 0,76%, enquanto as refeições subiram 0,42%.
Passagens aéreas sobem, combustíveis caem
O grupo Transportes apresentou alta de apenas 0,05%. O resultado foi influenciado por movimentos opostos.
As passagens aéreas ficaram 11,67% mais caras, enquanto os combustíveis registraram queda de 1,44%.
Todos os principais combustíveis tiveram redução: o etanol caiu 2,26%, a gasolina recuou 1,37%, o óleo diesel teve queda de 1,22% e o gás veicular diminuiu 0,08%.
Saúde e higiene também registram alta
O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 0,40%. Entre os destaques estão os produtos de higiene pessoal, que aumentaram 0,64%, com alta de 1,04% no preço dos perfumes.
Os planos de saúde também ficaram mais caros, com variação de 0,42%, refletindo os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Para os planos contratados após a Lei nº 9.656/98, o reajuste autorizado foi de até 5,11%, com vigência a partir de maio de 2026. Nos contratos anteriores à legislação, foram autorizados reajustes de 5,52% e 6,20%, dependendo do plano.
Roupas ficam mais baratas
Entre os grupos pesquisados pelo IBGE, as maiores quedas foram observadas em Vestuário, com -0,66%, e em Alimentação e bebidas.
O comportamento dos preços mostra que, apesar da inflação geral ter desacelerado em julho, o consumidor não sentiu o mesmo efeito em todos os gastos. A energia elétrica, por exemplo, exerceu forte pressão sobre o orçamento, enquanto a queda nos preços de alimentos como tomate, batata e cenoura ajudou a compensar parte desse impacto.
INPC registra queda de 0,01%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acompanha a inflação para famílias com renda mais baixa, apresentou variação negativa de 0,01% em julho, após alta de 0,14% em junho.
No acumulado do ano, o INPC registra alta de 3,50%. Nos últimos 12 meses, a variação ficou em 4,10%, abaixo dos 4,33% registrados nos 12 meses anteriores.
Os alimentos tiveram papel importante nesse resultado. Os preços dos produtos alimentícios passaram de uma queda de 0,29% em junho para uma redução de 0,74% em julho. Já os produtos não alimentícios desaceleraram de 0,28% para 0,23%.
Entre os locais pesquisados, São Paulo registrou a maior inflação, de 0,28%, influenciada principalmente pela alta de 7,60% na energia elétrica residencial e de 2,61% no conserto de automóveis.
A menor variação foi registrada em Belém, com -0,49%, favorecida pela queda de 3,42% na gasolina e de 14,24% no preço do açaí.



Nenhum comentário:
Postar um comentário