O horário eleitoral gratuito começou nesta sexta-feira (28) e, logo no primeiro programa, o candidato do Partido Liberal ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias, chamou atenção por uma escolha que dificilmente pode ser considerada casual: ao falar de sua trajetória como prefeito de Natal, decidiu começar justamente pela pandemia de Covid-19.
Na propaganda, Álvaro afirmou que, durante a crise sanitária, “o então prefeito não fugiu à luta, como outros governantes fizeram”.
A frase, por si só, poderia passar como uma referência genérica. O problema é que um dos mais notórios governantes acusados de minimizar a gravidade da pandemia foi justamente Jair Bolsonaro, hoje seu correligionário no PL.
Bolsonaro transformou a pandemia em um dos capítulos mais turbulentos de seu governo. Questionou a gravidade da doença, promoveu medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, entrou em conflito com governadores e prefeitos e criou obstáculos políticos à adoção de medidas de enfrentamento da crise sanitária. O ambiente chegou a tal ponto que o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal precisaram atuar em diferentes frentes para impedir que o governo federal concentrasse ou paralisasse decisões que afetavam diretamente estados e municípios.
Álvaro Dias é um típico político brasileiro do Centrão: mira para onde aponta o poder. O voto bolsonarista no Rio Grande do Norte tem uma participação mínima no eleitorado e pode até ser um apoio negativo para o candidato. Essa presença do Álvaro no PL representa exatamente uma diluição bolsonarista no jogo eleitoral.
Mesmo assim fica a questão de saber como o eleitor bolsonarista receberá essa mensagem. Para a ala mais radical do bolsonarismo, qualquer crítica ao comportamento de Bolsonaro durante a pandemia pode ser interpretada como traição.
E aí surge uma pergunta que pode ser importante para a eleição de 2026 no Rio Grande do Norte: o bolsonarismo continua sendo uma força eleitoral capaz de impor sua narrativa aos candidatos do PL ou já começa a ser tratado como um espólio político que cada candidato administra conforme sua conveniência?


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