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sábado, 15 de agosto de 2026

Noémia de Sousa/100 anos: Centenário evoca vida e obra da poeta e jornalista moçambicana




Lisboa, 15 ago 2026 (Lusa) – A poeta e jornalista Noémia de Sousa, consagrada como a “mãe dos poetas moçambicanos” por ter feito da literatura uma arma contra o colonialismo, assinala 100 anos em 20 de setembro, data que evoca o seu legado.


Pioneira da poesia no seu país e a primeira mulher negra a publicar em Moçambique, Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares (1926-2002), mais conhecida como Noémia de Sousa, deixou a sua marca na cultura e no jornalismo em língua portuguesa.


Nascida em 20 de setembro de 1926, em Catembe, Moçambique, e criada no histórico bairro da Mafalala, em Maputo, foi aí que escreveu os seus poemas que exaltam os valores africanos e de denúncia da opressão, como o célebre poema “Deixa passar o meu povo”.


Perseguida pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) pelo seu ativismo e pela ligação aos movimentos de libertação, Noémia de Sousa assinava com o pseudónimo literário Vera Micaia para contornar a censura do Estado Novo. Quando começou a escrever os seus poemas, utilizava também as iniciais N. S., embora por motivos pessoais.


A sua escrita concentrou-se num período muito curto, entre 1948 e 1951, mas a sua obra dispersa acabou por influenciar decisivamente as futuras gerações intelectuais do seu país.


A perseguição política forçou-a ao exílio em Portugal, em 1951, e mais tarde a uma fuga “a salto” para Paris, França, em 1964.


A fuga para Paris deveu-se à ligação que tinha com o Centro de Estudos Africanos, cujas reuniões eram realizadas na Casa da Tia Andreza, tia da poeta são-tomense Alda Espírito Santo.


Após o regresso a Lisboa, dedicou a vida ao jornalismo. Já depois de ter trabalhado na ANI, ingressou na agência Reuters em 1972, transitando mais tarde para as agências de notícias portuguesas ANOP (1982-1986) e Lusa (1986-2001), onde continuou a trabalhar mesmo depois de se reformar.


Em 2001, foi publicada uma coletânea dos poemas, que escreveu entre 1948 e 1951, intitulada “Sangue Negro”, pela Associação de Escritores Moçambicanos (AEMO), sendo depois reeditado por Nelson Saúte em Moçambique e, mais tarde, lançado no Brasil pela editora Kapulana.


Em outubro de 2024, a obra ganhou uma edição em francês, com o título ‘Sang Noir’, publicada pela editora ‘Project’îles’.


Para assinalar a data do seu centenário, a agência Lusa vai promover uma homenagem que reunirá antigos colegas de profissão, representantes da comunidade moçambicana e artistas cuja criação continua a ser influenciada pela obra da autora.


Além desta iniciativa, o escritor moçambicano Nelson Saúte vai lançar uma obra biográfica, intitulada “Se me quiseres conhecer – Noémia de Sousa: Biografia literária”, que vai ser apresentada em 01 de setembro no Brasil, pela editora Kapulana, em setembro a edição moçambicana do livro também será lançada e será depois apresentada, em Lisboa, em 20 de setembro.

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