Meta do governo de reduzir dependência externa até 2030 deve impulsionar investimentos em automação, controle de qualidade e digitalização da indústria
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| Imagem gerada por IA para o Canal Rural |
A meta do governo federal de reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados de cerca de 85% para 70% até 2030, prevista no Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), deverá acelerar investimentos não apenas na ampliação da capacidade produtiva, mas também em tecnologias capazes de tornar a indústria nacional mais eficiente, competitiva e sustentável.
O plano prevê aproximadamente R$ 16 bilhões em investimentos até 2028 para ampliar a produção doméstica de fertilizantes, em um cenário em que a segurança do abastecimento passou a ganhar importância após as recentes tensões geopolíticas e a volatilidade dos preços internacionais.
Para especialistas, porém, aumentar a capacidade instalada será apenas parte da solução. A competitividade da produção nacional dependerá cada vez mais da incorporação de tecnologias voltadas ao controle de qualidade laboratorial e de processos. "O desafio não é apenas produzir mais fertilizantes, mas produzir com qualidade, eficiência e custos competitivos. A tecnologia será um fator decisivo para que a indústria brasileira consiga competir com grandes produtores internacionais", afirma Rafael Soares, diretor da Pensalab.
Equipamentos de instrumentação analítica permitem acompanhar, em tempo real, parâmetros críticos da produção, garantindo maior controle da composição dos fertilizantes e reduzindo perdas com o reprocessamento, variabilidade de matérias-primas e over-spec nutricional durante o processo industrial. "Com monitoramento contínuo, a indústria consegue assegurar que o produto atenda aos padrões exigidos pelos órgãos reguladores, além de otimizar o uso de matérias-primas e reduzir desperdícios. Isso melhora a produtividade e aumenta a competitividade das plantas nacionais", explica.
Outro avanço esperado é a ampliação da automação industrial. Sistemas automatizados de controle de qualidade contribuem para elevar a eficiência das linhas de produção monitorando 100% da produção em tempo real e permitindo a liberação rápida de lotes sem aumento proporcional dos custos, além da diminuição expressiva de resíduos químicos e consumo energético.
Na avaliação de Roberto Gonzalez, especialista em ESG, a inovação também será determinante para a expansão dos chamados fertilizantes de menor impacto ambiental. "Além de contribuir para processos mais eficientes, novas tecnologias ajudam a atender exigências ambientais cada vez mais rigorosas e ampliam as oportunidades para produtos alinhados às práticas de sustentabilidade exigidas pelo mercado internacional", afirma.
Para o economista Adenauer Rockenmeyer, conselheiro do Corecon-SP, fortalecer a produção nacional tornou-se uma questão estratégica. "Embora as questões envolvendo a Venezuela não tragam grandes impactos ao setor, este é um momento de cautela. Ampliar a produção interna é fundamental para garantir competitividade e estabilidade, especialmente diante da implementação do acordo Mercosul-União Europeia", afirma.



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