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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Polarização, fake news e corrupção marcam livro sobre Prudente de Morais

Com endosso de Laurentino Gomes, a publicação do escritor Ely Carneiro de Paiva narra alguns dos principais acontecimentos do primeiro governo civil da República

Divulgação / Ely Carneiro de Paiva


1897 foi um ano conturbado na história do Brasil. Naquela época, houve a Guerra de Canudos e a morte de Antônio Conselheiro, o estabelecimento de um estado de sítio, a cisão do Partido Republicano Federal devido à polarização relacionada ao futuro da República e a tentativa de assassinato do então presidente Prudente de Morais. As únicas notícias positivas em meio ao caos parecem ter sido a diminuição dos casos de febre amarela e a fundação da Academia Brasileira de Letras.


Esse período é o tema da obra publicada pelo pesquisador e professor universitário Ely Carneiro de Paiva. Em 1897: A República polarizada e o atentado contra Prudente de Morais, ele narra os bastidores de uma política permeada por ameaças de golpes militares, fake news, escândalos de corrupção, atentados e discursos de ódio.


O mais provável é que a história tenha sido criada pela própria imprensa, como acreditava Olavo Bilac. Se os jornais da capital não deram o pontapé inicial, é bem verdade que eles alimentaram a fogueira das fantasias, com textos sensacionalistas, relatos suspeitos e depoimentos fictícios. Naqueles tempos, para aumentar a audiência popular, os jornais não se preocupavam em distinguir a linha que separa o editorial da notícia, ou a crônica do relato, permitindo que notícias fantasiosas, verdadeiras fake news - conhecidas na época como blagues - se misturassem ao noticiário do dia a dia. (1897: A República polarizada e o atentado contra Prudente de Morais, p. 214)


Ao retratar o passado do Brasil, o autor mostra como a construção de um ideal republicano é um processo lento, marcado por avanços e retrocessos constantes. “O mundo era muito diferente no final do século XIX. As mulheres não tinham direitos, e o racismo era algo natural e incentivado. A evolução da nossa República ficou mais evidente somente depois da Constituição de 1988. Apesar disso, os discursos de ódio, a defesa do militarismo e a ditadura, que são marcas do início dos governos republicanos, têm voltado a nos assombrar nos últimos 10 anos”, explica o escritor.


Com endosso de Laurentino Gomes, que afirma ser um “livro bem escrito, de narrativa fluida, e fácil de entender mesmo para leitores mais leigos no tema", a publicação é alicerçada em mais de 600 referências reunidas durante uma década de pesquisa. Entre elas, há documentos oficiais de anais da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, além de conteúdos divulgados em diferentes veículos de comunicação da época, como o Jornal da Manhã, o Jornal do Brasil e o Jornal do Comércio.


Dividida em 27 capítulos curtos, a obra não se mantém apenas no cenário político daquele ano. Ao longo das páginas, Ely Carneiro de Paiva destrincha as características da vida social do Rio de Janeiro no final do século XIX. Na antiga capital, por exemplo, aconteceram a festa de inauguração do Palácio do Catete; a confraternização no Itamaraty para homenagear a relação entre Brasil e Chile, em meio aos rumores de um possível golpe de estado; a visita de grupos indígenas para a metrópole; e os relatos de um fantasma na rua das Laranjeiras, que estamparam manchetes e se tornaram até tema de carnaval.


O caos da época, que percorre todo o livro, é levado a julgamento no prólogo - única parte em que o autor recorre à ficção. Ele narra um tribunal popular que acontece no Natal, na rua do Ouvidor, para debater sobre aquele ano. Ao final, a sentença não poderia ser outra: pena de morte a 1897. O promotor do caso anuncia: “Minhas senhoras e meus senhores, senhor juiz e senhores jurados: poucas vezes temos tido, na curta história da nossa vida independente, anos tão calamitosos como foi 1897! Ano assassino, ano conspirador, ano fanático, ano bêbado, ano gatuno, que roubou vidas preciosíssimas”.



FICHA TÉCNICA

Título: 1897
Subtítulo: A República polarizada e o atentado contra Prudente de Morais
Autor: Ely Carneiro de Paiva
Editora: Ayran
ISBN: 978-65-89177-20-3
Páginas: 291
Preço: R$ 72 (físico)
Onde comprarEditora Ayran 

Sobre o autor: Ely Carneiro de Paiva é graduado em Engenharia Elétrica, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e correspondente associado do Instituto Histórico e Geográfico do Mato Grosso do Sul (IHGMS). Como escritor, publicou três livros: “O Homem do Cavalo Branco” (2012), sobre o maior estelionatário do Brasil na República Velha; “Jean Serrou Camy – Um francês dos Pirineus no coração do Brasil” (2018), sobre um importante imigrante francês no interior do país, no século XIX; e 1897: A República polarizada e o atentado contra Prudente de Morais.

Instagram@elypaivacarneiro
Sitehttps://sites.fem.unicamp.br/~elypaiva/

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