Especialista em Atenção Primária orienta sobre vacinas indicadas durante a gravidez e reforça a importância de manter a caderneta atualizada
| Foto: Magnific |
A vacinação durante a gestação é uma importante estratégia de prevenção para a mãe e para o bebê. Além de ajudar a evitar doenças que podem evoluir de forma mais grave durante a gravidez, algumas vacinas contribuem para a proteção do neném ainda antes do nascimento. Por isso, manter a caderneta de vacinação atualizada deve fazer parte dos cuidados realizados durante o pré-natal.
“Receber a vacina durante a gestação é um ato de cuidado tanto com você como também com o seu bebê. Ao tomar as vacinas durante a gestação, a mãe irá produzir anticorpos em resposta a elas e parte desses anticorpos irão atravessar a placenta até chegar ao bebê, o ajudando a enfrentar os primeiros meses de vida, quando ele ainda é mais vulnerável”, afirma Alrivânia Moura, docente do curso de Enfermagem da Universidade Potiguar (UnP), integrante da Ânima Educação, o maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil.
De acordo com a professora, que também é especialista em Enfermagem na Atenção Primária com Ênfase na Estratégia de Saúde da Família, atualmente o Programa Nacional de Imunizações (PNI) recomenda cinco principais vacinas para as gestantes: hepatite B, influenza, Covid-19, dTpa e vírus sincicial respiratório (VSR).
A indicação e o momento de aplicação variam de acordo com o histórico vacinal e a idade gestacional, de modo que o acompanhamento ao longo dos meses é fundamental para identificar quais devem ser administradas em cada período.
Atenção aos períodos da gestação
Embora algumas vacinas possam ser indicadas desde o início do pré-natal, determinados estágios da gestação exigem atenção. Segundo a especialista, a definição desses períodos está relacionada justamente à possibilidade de transferência dos anticorpos maternos para o feto.
Essa proteção considera a fase em que o sistema imunológico do bebê ainda está em desenvolvimento. “Um exemplo é a imunização contra o vírus sincicial respiratório (VSR), incorporada ao calendário do SUS no final de 2025. Ela é indicada a partir da 28ª semana de cada gestação. A vacinação tem como objetivo reduzir o risco de formas graves de doenças respiratórias, como bronquiolite e pneumonia, que podem levar à necessidade de internação, especialmente nos primeiros seis meses de vida”, destaca.
Caderneta é aliada durante o pré-natal
Para acompanhar a situação vacinal, a caderneta da gestante, fornecida na primeira consulta de pré-natal, deve estar presente nas consultas seguintes. O documento funciona como um histórico de vacinação e permite identificar as doses já recebidas, as que estão pendentes e aquelas que precisam ser realizadas durante a gravidez.
“É muito importante que o profissional informe a gestante quais vacinas ela pode ou não tomar durante a gestação e que o ideal é levar a caderneta da gestante para avaliação e seguir a orientação da equipe de saúde”, reforça.
Alrivânia também chama atenção para dúvidas e receios que ainda são comuns entre as gestantes, como o medo de que a vacina possa prejudicar o bebê, provocar alterações na gestação ou até causar a doença. Para ela, essas preocupações devem ser acolhidas e esclarecidas pelos profissionais, sobretudo na Atenção Primária, que costuma ser a porta de entrada para o acompanhamento pré-natal.
“Outro equívoco frequente é acreditar que toda vacina é contraindicada durante a gravidez, deixar para conferir a caderneta apenas no final da gestação ou pensar que, ao perder uma dose, será necessário reiniciar todo o esquema vacinal. Também é comum que algumas mulheres não saibam que determinadas vacinas precisam ser tomadas em todas as gestações”, pontua a docente da UnP.
Proteção que envolve toda a família
Vacinar-se é uma demonstração de amor que começa pela mãe ainda na gestação e deve ser replicada por toda a família, como enfatiza Alrivânia: “O mesmo cuidado pode ser estendido ao parceiro e aos familiares que convivem com o bebê, que também devem manter a própria vacinação em dia, contribuindo para formar uma rede de proteção ao redor da criança”, finaliza.


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