- Novos dados do relatório “Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes no Brasil” mostra que 89% dos brasileiros consideram o público infantojuvenil muito vulnerável a crimes e violências na internet, e 33% conhecem alguma criança ou adolescente que já sofreu bullying ou constrangimento social no ambiente digital;
- Em relação ao ambiente escolar, 73% dos entrevistados consideram as escolas pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes; entre eles, 7 em cada 10 apontam a violência entre os próprios alunos como motivo;
- Resultados serão apresentados no 8º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância, promovido pelo Infinis no dia 30 de setembro, em São Paulo
São Paulo, 30 de setembro de 2026 – A nova etapa de divulgação da pesquisa “Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes no Brasil”, realizada pelo Infinis - Instituto Futuro é Infância Saudável em parceria com a Quaest, mostra como os brasileiros percebem a proteção do público infantojuvenil em espaços de convivência e socialização, como a internet e a escola. A pesquisa busca compreender como a população brasileira percebe, vivencia e reage às diferentes formas de violência, além de investigar sua compreensão sobre os direitos da infância e da adolescência.
Para 89% dos brasileiros, crianças e adolescentes estão muito vulneráveis a crimes e violências na internet. Essa percepção é elevada em todas as regiões do país: 93% no Centro-Oeste e 92% no Sudeste consideram crianças e adolescentes muito vulneráveis, seguidos por 88% no Nordeste, 86% no Sul e 82% no Norte.
Além da percepção de risco, o levantamento identificou situações concretas envolvendo crianças e adolescentes conhecidos pelos entrevistados. Um em cada três brasileiros (33%) afirma conhecer alguma criança ou adolescente que já foi humilhado, xingado ou sofreu bullying ou constrangimento social na internet. O percentual é de 38% no Sudeste, 34% no Centro-Oeste, 32% no Nordeste, 31% no Norte e 23% no Sul.
Outras situações de violência na internet contra criança e adolescente também aparecem nas seguintes respostas: 25% conhecem alguma criança ou adolescente que recebeu mensagens de conteúdo sexual; 20% conhecem alguém que recebeu convites para encontros presenciais com estranhos; 18% relatam casos de divulgação de informações pessoais com objetivo de intimidação ou perseguição; e 10% conhecem crianças ou adolescentes que tiveram imagens falsas e constrangedoras criadas por inteligência artificial.
A necessidade de acompanhamento das interações on-line das crianças pelas famílias é praticamente um consenso entre os entrevistados: 96% consideram que pais ou responsáveis deveriam supervisionar o conteúdo acessado por crianças e adolescentes na internet. Os resultados na prática, porém, variam de acordo com a idade. Entre crianças de 0 a 5 anos que acessam a internet, 94% têm o uso acompanhado, percentual que cai para 68% entre adolescentes de 15 a 17 anos.
Quando questionados sobre medidas de proteção, 56% dos brasileiros defendem o bloqueio de conteúdos perigosos nas redes sociais para crianças de até 11 anos. Outros 49% consideram que os responsáveis devem observar tudo o que elas fazem, inclusive contas e conversas, e 46% defendem limitar o tempo de uso de redes sociais. Para adolescentes de 12 a 17 anos, o bloqueio de conteúdos perigosos continua sendo a medida mais citada, por 49%, enquanto orientação para o uso seguro, monitoramento de contas e limite do tempo de utilização são mencionados por 44%.
"A pesquisa traz à luz a grande preocupação que os brasileiros têm em relação ao uso da internet por crianças e adolescentes, e aponta quais caminhos a população acredita que podem reduzir a vulnerabilidade dos jovens, como bloqueio de conteúdos perigosos e maior orientação para o uso seguro", destaca Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest.
“Os dados mostram que os riscos no ambiente digital são percebidos pela população e também aparecem em situações concretas vivenciadas por crianças e adolescentes. Nesse sentido, a sanção do ECA Digital representa um avanço importante diante dos desafios trazidos pela exposição cada vez mais precoce e intensa às telas e redes sociais. A infância e adolescência merece atenção especial, por ser um período de profundas transformações físicas, emocionais e identitárias e ainda pouco priorizado nas políticas públicas. Garantir um ambiente digital mais seguro nessa fase é fundamental não apenas para a saúde e o desenvolvimento das novas gerações, mas também para sua futura participação social e cidadania”, afirma Márcia Kalvon, diretora-executiva do Infinis.
Segurança de crianças e adolescentes nas escolas
O estudo mostra, ainda, que 73% dos brasileiros consideram as escolas pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes, enquanto 26% consideram seguras. A percepção de que as escolas são pouco ou nada seguras predomina em todas as regiões brasileiras, mas apresenta diferenças. O índice chega a 76% no Sudeste, seguido por 73% no Norte, 72% no Centro-Oeste, 70% no Nordeste e 66% no Sul.
Entre aqueles que avaliam o ambiente escolar como pouco ou nada seguro, 70% apontam a violência entre os próprios alunos como um dos motivos, 8% citam a violência praticada por professores ou outros profissionais contra estudantes e 18% mencionam as duas situações.
A violência entre os próprios estudantes também aparece como motivo para a percepção de insegurança em todas as regiões do país: 79% no Norte, 77% no Centro-Oeste, 71% no Nordeste, 70% no Sudeste e 61% no Sul.
Os dados reforçam o papel da escola tanto como espaço em que situações de violência podem ocorrer quanto como parte da rede de prevenção e cuidado.
Quando perguntados sobre o que poderia tornar as escolas mais seguras, 46% dos brasileiros priorizam reforçar a capacidade das escolas e das famílias de reconhecer e acompanhar situações de violência, com 23% defendendo uma maior participação das famílias e outros 23% apontando a necessidade de professores preparados para identificar esses casos.
Confiança dos brasileiros nas instituições
Além da percepção sobre a segurança na internet e nas escolas, a pesquisa também analisou a confiança dos brasileiros nas instituições e nos profissionais que integram a rede de proteção de crianças e adolescentes. Psicólogos e aconselhamentos aparecem com o maior percentual de entrevistados que dizem confiar muito (60%), seguidos pela polícia (49%), e pelo Conselho Tutelar (46%). Na sequência estão assistentes sociais ou Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) (42%), e Unidades Básicas de Saúde (UBS), hospitais e clínicas (40%).
A escola, por outro lado, apresenta um cenário diferente: apenas 30% dos brasileiros afirmam confiar muito nas instituições de ensino, enquanto 55% confiam pouco e 14% não confiam.
8º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância
Os resultados da pesquisa serão apresentados e debatidos no dia 30 de setembro, durante o 8º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância (FPPSI), promovido pelo Infinis, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, com transmissão on-line. Neste ano, o Fórum terá como tema central a prevenção às violências contra crianças e adolescentes.
Esta é a segunda etapa de divulgação dos resultados. Em julho, foram apresentados dados sobre práticas de educação e cuidado, naturalização da violência, trabalho infantil, direitos e mecanismos de proteção à infância. Entre os achados, 91% dos brasileiros afirmaram considerar o diálogo a melhor forma de corrigir comportamentos infantis, enquanto 62% admitiram já ter gritado com uma criança e 49% reconheceram já ter dado tapas.
Metodologia
Os dados da pesquisa foram coletados entre 29 de maio e 7 de junho de 2026. Foram entrevistados pessoalmente 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais, em 128 municípios. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.


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