Nesta quarta-feira (2), ocorreu o segundo debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, promovido pela 98 FM e pela Jovem Pan, emissoras de Natal, com transmissão também pelo YouTube. E, ao final, talvez seja possível dizer que os grandes vencedores foram justamente aqueles que não assistiram ao espetáculo. Foi uma apresentação marcada pela baderna, pela agressividade e pelas trocas de insultos, em nível ainda mais elevado do que o observado no debate promovido pela Band.
Nos debates eleitorais, normalmente o candidato mais atacado é aquele que disputa a reeleição ou aparece melhor colocado nas pesquisas. Desta vez, Allyson Bezerra (União Brasil), alvo de acusações relacionadas à Operação Mederi e líder nas pesquisas, também partiu para o ataque e procurou explorar as implicações judiciais envolvendo seus adversários.
Allyson surpreendeu Álvaro Dias (PL) ao trazer à discussão o episódio da arma encontrada no aeroporto e também resgatou o chamado escândalo do Trem da Alegria, relacionado ao período em que Álvaro presidiu a Assembleia Legislativa e no qual foram denunciadas nomeações de parentes sem concurso público. Ao adotar a estratégia do ataque como defesa, Allyson nivelou o debate por baixo. Apanhou, mas permaneceu de pé. Em alguns momentos, conseguiu desestabilizar os três adversários e, ao mesmo tempo, construiu a narrativa de que todos estariam combinados contra ele.
O domínio do debate, entretanto, ficou praticamente restrito às acusações pessoais. Poucos temas relacionados à administração pública foram efetivamente aprofundados. É justamente aí que reside o principal problema desse formato de confronto eleitoral: o debate acaba se transformando em uma disputa de acusações, ironias e ataques pessoais, deixando em segundo plano aquilo que deveria ser o centro da discussão — os problemas do Estado e as propostas para enfrentá-los.
Dificilmente um debate dessa natureza é capaz de conquistar o voto de um eleitor indeciso. Na maioria das vezes, quem já tem candidato assiste para torcer pelo seu escolhido e comemora os ataques desferidos contra os adversários. Com as redes sociais, a lógica se tornou ainda mais evidente: os melhores momentos são recortados e imediatamente publicados pelos candidatos e suas militâncias, transformando o debate em uma coleção de vídeos destinados a alimentar as respectivas bolhas políticas.
Cadu Xavier (PT) procurou, mais uma vez, destacar os feitos do governo Fátima Bezerra e sua condição de candidato apoiado pelo presidente Lula. Faltou, porém, maior capacidade de transformar esses argumentos em uma narrativa convincente sobre a necessidade de continuidade do governo. A defesa da gestão ficou mais concentrada na enumeração de virtudes do que na apresentação de uma visão clara para o futuro do Estado.
Robério Paulino (PSOL), por sua vez, reafirmou sua identidade de candidato de esquerda ao colocar em discussão temas como meio ambiente e saúde preventiva. Manteve, assim, um discurso coerente com sua trajetória política, embora também tenha encontrado dificuldades para romper a dinâmica de ataques que dominou o confronto.
Curiosamente, nenhum dos candidatos deu a devida atenção a temas que poderiam produzir uma discussão mais propositiva sobre o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Nem mesmo Cadu Xavier explorou de forma mais consistente o programa de resgate da cultura do algodão no semiárido, uma iniciativa que poderia render uma discussão relevante sobre agricultura, economia regional, geração de renda e convivência com as condições climáticas do interior.
No fim, o eleitor potiguar teve muito barulho, muitas acusações e poucas propostas. Por isso, talvez a frase mais adequada para resumir o segundo debate seja mesmo esta: ganhou quem não assistiu.


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