Reportagem do Correio de Hoje revela parecer do Ministério Público Eleitoral que aponta indícios de irregularidades em pesquisas que colocaram Álvaro Dias na liderança da disputa pelo Governo do RN e recomenda investigação criminal, inclusive pela Polícia Federal.

Álvaro Dias, candidato do PL ao Governo do RN: parecer do MPE analisa sete pesquisas que o colocaram na liderança. Foto: José Aldenir
O Ministério Público Eleitoral (MPE) identificou indícios de um possível esquema organizado de produção e divulgação de pesquisas eleitorais fraudulentas no Rio Grande do Norte. A informação foi revelada pelo Correio de Hoje, com base em parecer apresentado pelo órgão ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN), que recomenda uma apuração ampla das irregularidades, inclusive na esfera criminal.
Segundo o parecer, 26 pesquisas sobre a disputa pelo Governo do Estado foram registradas entre 3 de abril e 13 de julho. Dessas, 19 apontaram Allyson Bezerra na liderança e sete colocaram Álvaro Dias à frente. De acordo com o MPE, todas as sete pesquisas favoráveis ao candidato do PL apresentaram irregularidades documentadas, envolvendo os institutos Veritá, PNH/Affare, Consult, Ipsensus e Média.
Um dos principais alvos é uma pesquisa do instituto Média que apontou Álvaro Dias com 32,1% das intenções de voto, contra 27,5% de Allyson. O levantamento apresentou, segundo o MPE, problemas nas datas das entrevistas, coordenadas de GPS incompatíveis com os municípios informados, deslocamentos considerados impossíveis e padrões de coleta que poderiam indicar preenchimento automatizado ou realizado fora do campo.
O Ministério Público também considerou especialmente grave a distribuição da renda dos entrevistados. Conforme o parecer, os percentuais registrados na base coincidiriam, com precisão de centésimos, com os previstos no plano amostral. Para a Procuradoria, eventual manipulação dessa variável poderia transformar a pesquisa em instrumento de propaganda dissimulada.
Diante dos indícios, o MPE recomenda que a pesquisa da Média seja considerada portadora de “irregularidade insanável”, equiparada a pesquisa não registrada e tenha sua divulgação definitivamente proibida, além da aplicação de multa às empresas envolvidas. A Procuradoria também pediu a apuração de possível descumprimento de decisão judicial que havia determinado a suspensão da divulgação do levantamento.
Paralelamente, o procurador encaminhou notícia-crime para apurar, em tese, possíveis crimes de divulgação de pesquisa fraudulenta, embaraço à fiscalização e falsidade ideológica eleitoral. A recomendação é que a investigação alcance também outras pesquisas, entre elas um levantamento do instituto Ipsensus, diante de indícios de concentração anormal das entrevistas e de possíveis conexões entre profissionais e empresas.
As empresas citadas contestaram as acusações e defenderam a regularidade da pesquisa. O MPE, entretanto, afirmou que os indícios apontados podem ser verificados a partir de documentos oficiais apresentados pelas próprias representadas.


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