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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

MPE aponta possível esquema de fraudes em pesquisas eleitorais no RN e pede investigação

Reportagem do Correio de Hoje revela parecer do Ministério Público Eleitoral que aponta indícios de irregularidades em pesquisas que colocaram Álvaro Dias na liderança da disputa pelo Governo do RN e recomenda investigação criminal, inclusive pela Polícia Federal.

Álvaro Dias, candidato do PL ao Governo do RN: parecer do MPE analisa sete pesquisas que o colocaram na liderança. Foto: José Aldenir


O Ministério Público Eleitoral (MPE) identificou indícios de um possível esquema organizado de produção e divulgação de pesquisas eleitorais fraudulentas no Rio Grande do Norte. A informação foi revelada pelo Correio de Hoje, com base em parecer apresentado pelo órgão ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN), que recomenda uma apuração ampla das irregularidades, inclusive na esfera criminal.


Segundo o parecer, 26 pesquisas sobre a disputa pelo Governo do Estado foram registradas entre 3 de abril e 13 de julho. Dessas, 19 apontaram Allyson Bezerra na liderança e sete colocaram Álvaro Dias à frente. De acordo com o MPE, todas as sete pesquisas favoráveis ao candidato do PL apresentaram irregularidades documentadas, envolvendo os institutos Veritá, PNH/Affare, Consult, Ipsensus e Média.


Um dos principais alvos é uma pesquisa do instituto Média que apontou Álvaro Dias com 32,1% das intenções de voto, contra 27,5% de Allyson. O levantamento apresentou, segundo o MPE, problemas nas datas das entrevistas, coordenadas de GPS incompatíveis com os municípios informados, deslocamentos considerados impossíveis e padrões de coleta que poderiam indicar preenchimento automatizado ou realizado fora do campo.


O Ministério Público também considerou especialmente grave a distribuição da renda dos entrevistados. Conforme o parecer, os percentuais registrados na base coincidiriam, com precisão de centésimos, com os previstos no plano amostral. Para a Procuradoria, eventual manipulação dessa variável poderia transformar a pesquisa em instrumento de propaganda dissimulada.


Diante dos indícios, o MPE recomenda que a pesquisa da Média seja considerada portadora de “irregularidade insanável”, equiparada a pesquisa não registrada e tenha sua divulgação definitivamente proibida, além da aplicação de multa às empresas envolvidas. A Procuradoria também pediu a apuração de possível descumprimento de decisão judicial que havia determinado a suspensão da divulgação do levantamento.


Paralelamente, o procurador encaminhou notícia-crime para apurar, em tese, possíveis crimes de divulgação de pesquisa fraudulenta, embaraço à fiscalização e falsidade ideológica eleitoral. A recomendação é que a investigação alcance também outras pesquisas, entre elas um levantamento do instituto Ipsensus, diante de indícios de concentração anormal das entrevistas e de possíveis conexões entre profissionais e empresas.


As empresas citadas contestaram as acusações e defenderam a regularidade da pesquisa. O MPE, entretanto, afirmou que os indícios apontados podem ser verificados a partir de documentos oficiais apresentados pelas próprias representadas.

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