Juro médio do crédito livre para empresas chegou a 25,4% ao ano em julho, segundo o Banco Central

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
A taxa Selic caiu para 14% ao ano em agosto, mas os dados mais recentes do Banco Central mostram que o custo do crédito para as empresas continuou elevado e subiu. Em julho, a taxa média de juros do crédito livre para pessoas jurídicas subiu 1,1 ponto percentual e chegou a 25,4% ao ano. Nas linhas de capital de giro com prazo superior a 365 dias, a alta foi de 2 pontos percentuais no mês.
O Boletim Focus de 28 de agosto indica que o mercado espera uma nova redução de 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para os dias 15 e 16 de setembro. A projeção é de que a Selic chegue a 13,75% e permaneça nesse patamar até o fim de 2026.
O Brasil contava com 25,4 milhões de empresas ativas em julho, mês em que foram abertos 485 mil novos negócios, segundo o Mapa de Empresas do governo federal. Desse universo, 24 milhões são pequenos negócios, que representam 95% das empresas ativas no país, de acordo com o Sebrae.
Para quem depende de capital de giro, a redução da taxa básica não significa alívio imediato no caixa. Segundo a Confederação Nacional de Jovens Empresários (CONAJE), o crédito continua caro, limita investimentos e reduz a margem de manobra dos pequenos negócios.
“Muitos acabam recorrendo a recursos próprios ou a linhas alternativas, o que pressiona ainda mais o dia a dia do negócio”, afirma Fábio Saraiva, advogado e presidente da CONAJE.
Na avaliação de Saraiva, cinco ajustes podem ajudar a reduzir a pressão dos juros sobre o pequeno negócio:
1) Reforce a gestão financeira. Controle rigoroso de custos, planejamento do fluxo de caixa e separação entre contas pessoais e empresariais são pontos básicos, mas decisivos. Investir em capacitação nas áreas de gestão e finanças também pode melhorar os resultados.
2) Negocie prazos e busque parcerias. Rever condições com fornecedores e clientes pode dar fôlego ao caixa e reduzir a necessidade de recorrer a empréstimos emergenciais.
3) Invista em digitalização. Ferramentas simples podem reduzir gastos operacionais, organizar processos e ampliar a eficiência do negócio.
4) Explore alternativas de crédito. Cooperativas, fintechs e agências de fomento regionais podem oferecer condições mais vantajosas que os bancos tradicionais. Antes de contratar, compare taxas, prazos, exigências e o custo total da operação.
5) Evite armadilhas. Não assuma dívidas sem planejamento, evite contratar financiamentos longos para cobrir despesas recorrentes e mantenha as finanças pessoais separadas das contas da empresa.


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