Nesta segunda-feira (20), a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), alma mater de toda a sabedoria potiguar, foi atacada pela mão suja do fascismo, em um dos capítulos mais tenebrosos de sua gloriosa história. O episódio é mais um dos desdobramentos da euforia provocada pela vitória, no primeiro turno, do candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais.
Dentro do bolsonarismo, existe uma parcela considerável de pessoas que, incapazes de ingressar na universidade, alimentam um profundo ódio às instituições de ensino superior. Consideram que não há produção de conhecimento nesses espaços e que seus frequentadores são, em sua maioria, militantes do PT. A partir dessa visão distorcida, concluem que as universidades devem ser destruídas. Caso se confirme uma vitória definitiva no segundo turno, certamente se sentirão ainda mais empoderadas, e novos ataques poderão ocorrer.
Os ataques foram liderados pelo deputado federal General Girão (PL), um general intelectualmente limitado, cujo campo de visão sobre o mundo é menor do que a cabeça de um palito de fósforo. Girão representa o tipo de figura elementar dos regimes autoritários: não pensa, apenas age, e demonstra fidelidade incondicional ao seu líder.
Na Alemanha, após a ascensão de Hitler ao poder, em 1933, o regime nazista promoveu a perseguição sistemática e o controle ideológico das universidades, transformando o ensino superior em instrumento do Estado totalitário. A Lei de Restauração do Serviço Público Profissional permitiu a demissão de professores e funcionários públicos considerados opositores políticos ou classificados como judeus pelo regime. A experiência histórica demonstra como o autoritarismo, ao conquistar o poder, procura submeter a produção do conhecimento e eliminar a liberdade acadêmica.
A disseminação do ódio ao Partido dos Trabalhadores fez com que até mesmo pessoas beneficiadas pelas políticas sociais implementadas durante os governos petistas passassem a nutrir profunda aversão ao partido. Em um país que, como observou Eric Hobsbawm, é um “monumento de injustiça social”, essa hostilidade contribui para que parcelas da população atribuam ao PT a responsabilidade por todos os males nacionais. Trata-se de um delírio que leva a imaginar que o Brasil era um paraíso terrestre antes de Lula vencer as eleições pela primeira vez, em 2002. A solução simplista difundida por esse discurso é a de que, eliminado o PT, o país se transformaria imediatamente em um paraíso.
O estrago provocado pela liderança de um indivíduo intelectualmente limitado como Bolsonaro não terá solução simples e poderá perdurar por muitos anos. Nesse cenário, a universidade precisa estar preparada para o pior, enquanto a sociedade civil deve se mobilizar para defender a Constituição de 1988 e as liberdades democráticas. Se os fascistas vencerem as eleições de domingo, será necessário manter a mobilização permanente. A defesa da universidade pública, da liberdade de pensamento e da democracia não pode se limitar ao calendário eleitoral.



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