Parlamentares avaliam que abolição trouxe prejuízos irreparáveis aos produtores rurais e estudam restabelecer modelo considerado “mais eficiente”
[Humor] — Poucos dias depois de conquistar uma importante vitória no Congresso Nacional, a bancada do PL já se prepara para uma nova batalha em defesa dos valores nacionais: a revogação da Lei Áurea, considerada por parlamentares um dos maiores erros administrativos cometidos pelo Brasil no século XIX.
Segundo fontes muito próximas ao café, ao gado e às instalações da antiga Casa-Grande, a proposta deverá começar a tramitar assim que os parlamentares terminarem de discutir se a palavra “abolição” ainda pode ser utilizada sem provocar prejuízos à liberdade econômica.
De chicote em punho, uma das líderes do partido, Júlia Zanatta, teria defendido que a Lei Áurea precisa ser analisada “sem paixões ideológicas e com os olhos voltados para o produtor rural”.
“É preciso compreender o outro lado da história”, teria explicado a deputada, enquanto um assessor lhe entregava uma planilha com os custos de manutenção de senzalas, alimentação de escravizados e aquisição de novos instrumentos de tortura.
A bancada sustenta que a abolição da escravidão provocou uma série de efeitos colaterais que até hoje prejudicam o agronegócio, como o aumento do custo da mão de obra, a necessidade de pagar salários e o inconveniente de os trabalhadores poderem abandonar a fazenda quando bem entenderem.
Um deputado, que pediu anonimato por receio de ser confundido com alguém que leu a Constituição, defendeu uma solução intermediária.
“Não queremos voltar exatamente ao passado. Queremos apenas recuperar algumas práticas que funcionavam muito bem naquela época.”
Entre as medidas em estudo estariam a substituição da carteira de trabalho por um documento chamado “carta de alforria remunerada”, a criação do programa Minha Senzala, Minha Vida e a instituição de uma nova modalidade de vínculo trabalhista denominada “CLT Casa-Grande”, na qual o empregado trabalharia mediante contrato, salário e, dependendo do desempenho, autorização para dormir.
O texto também deverá prever incentivos fiscais para produtores que conseguirem demonstrar que seus trabalhadores estão “satisfeitos espontaneamente” com as condições de trabalho.
A bancada ainda estuda modificar o calendário oficial. O dia 13 de maio deixaria de ser conhecido como Dia da Abolição da Escravidão e passaria a se chamar “Dia da Descontinuidade Administrativa do Sistema Produtivo Colonial”.
A proposta encontrou resistência entre historiadores, juristas e pessoas que têm o hábito inconveniente de consultar livros antes de votar.
“É uma ideia revolucionária”, comentou um professor de História. “Principalmente porque pretende revogar uma lei de 1888 sem explicar o que pretende fazer com os 138 anos que se passaram desde então.”
No setor rural, entretanto, a notícia foi recebida com entusiasmo.
“Finalmente alguém está pensando no produtor”, comemorou um grande proprietário, acrescentando que, desde 1888, vem enfrentando dificuldades para encontrar trabalhadores dispostos a trabalhar de graça.
Especialistas em economia colonial também demonstraram preocupação com os impactos fiscais da medida.
“Se a Lei Áurea for revogada, o governo terá de decidir se cria um Ministério da Escravidão ou se aproveita a estrutura existente do Ministério do Trabalho”, explicou um economista. “Mas acredito que haverá resistência, principalmente porque o nome Ministério do Trabalho poderia gerar constrangimento.”
A oposição, por sua vez, classificou a iniciativa como “um retrocesso”.
A bancada do PL rebateu.
“Retrocesso seria voltar ao século XIX”, afirmou um parlamentar. “Nossa proposta é mais moderna: queremos apenas recuperar as relações trabalhistas daquele período utilizando tecnologia, inteligência artificial e aplicativos.”
NOTA: Esta é uma obra de ficção satírica. O texto é uma paródia humorística.



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