Especialista explica como funciona o cálculo e por que pessoas com o mesmo número de acertos podem ter notas diferentes
Após a divulgação do gabarito do Enem, uma das principais dúvidas dos candidatos é entender como o número de acertos se transforma na nota final. Diferentemente de uma prova em que cada questão tem um valor fixo, o exame utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia que considera o conjunto de respostas do participante para estimar seu nível de conhecimento em cada área.
Na prática, dois candidatos que acertaram a mesma quantidade de questões podem receber notas diferentes. A TRI considera características estatísticas dos itens, como dificuldade, capacidade de diferenciar estudantes com diferentes níveis de conhecimento e possibilidade de acerto ao acaso, além do padrão de respostas do candidato.
“A TRI não faz uma simples contagem de acertos. Ela observa o conjunto das respostas para estimar o nível de conhecimento que o estudante demonstrou. É esperado, por exemplo, que quem consegue resolver questões mais difíceis também acerte boa parte das mais fáceis”, explica Vanessa Santos, gerente de Projetos Educativos e Avaliação Educacional do Poliedro Educação.
Um dos casos que mais gera dúvidas é o de quem acerta perguntas difíceis, mas erra várias consideradas mais fáceis. Nesse cenário, o padrão de respostas é menos esperado pela metodologia e determinados acertos podem ter uma contribuição menor para a nota. Isso não significa, porém, perder pontos por acertar uma questão. “A TRI não é detetive de chute. Acertar uma questão nunca faz a nota cair. O que pode acontecer é aquele acerto ter uma contribuição menor no resultado quando analisado dentro do padrão de respostas daquele estudante”, afirma Vanessa.
Por isso, não existe uma tabela fixa que permita converter diretamente o número de acertos em uma pontuação. Não é possível afirmar, por exemplo, que 30 acertos necessariamente resultarão em 700 pontos. “A relação entre acertos e nota depende da prova daquela área, das questões acertadas e do padrão completo de respostas. É possível, inclusive, acertar mais questões em uma edição do Enem e obter nota menor do que em outra”, explica.
Também não é possível identificar, durante a prova, quais questões são estatisticamente fáceis ou difíceis, já que a percepção do estudante pode ser diferente da classificação utilizada pela TRI. Uma questão curta pode ser difícil, enquanto uma questão longa pode ser mais acessível do que parece. Por isso, a recomendação é priorizar os itens que o candidato consegue resolver com segurança, sem gastar tempo excessivo em uma única questão “Não sabe? Pula! Mas, não deixe de fazer aquelas que realmente consegue fazer. Sobrando tempo, você volta naquelas que pulou, mas o mais importante é garantir que fez muito bem as que consegue”.
Outro mito é de que deixar uma resposta em branco seria melhor do que chutar. Na TRI, questões não marcadas são consideradas erradas, portanto, caso o estudante não saiba a resposta, vale arriscar e marcar uma. Após a prova, o gabarito extraoficial permite fazer uma contagem provisória de acertos e ter uma primeira percepção do desempenho, mas não possibilita calcular a nota exata pela TRI ou a pontuação da redação.


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