
Pesquisadora é finalista de prêmio promovido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Fonte: Ana Santana Batista Farias (acervo pessoal).
Agecom/UFRN - A pesquisadora Ana Santana Batista Farias, doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), é finalista do 2º Prêmio de Incentivo à Pesquisa em Direitos Humanos, promovido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O prêmio visa reconhecer e valorizar pesquisas, práticas e projetos que promovam os Direitos Humanos com aplicabilidade nas políticas públicas do MDHC.
Sua tese de doutorado, intitulada As dimensões formativas da educação em Direitos Humanos segundo Hannah Arendt: uma travessia de combate à educação totalitária, é a única proposta do Rio Grande do Norte habilitada na categoria. O trabalho foi orientado pelo professor Antônio Basílio Novaes Thomaz de Menezes, do Centro de Educação (CE) da UFRN.
A lista dos finalistas foi divulgada no mês passado no site do CNPq. A divulgação do resultado final está prevista para esta quarta-feira, dia 21 de outubro.
“A motivação para pesquisar esse tema também possui uma dimensão profundamente pessoal. Escrevo enquanto mulher potiguar, e as mulheres potiguares têm uma história de luta pela educação e pelos direitos humanos, como podemos encontrar nas trajetórias da educadora Nísia Floresta e da sufragista caicoense Júlia Augusta de Medeiros”, afirma Ana Farias.
A pesquisadora também chama atenção para a necessidade de ampliar o incentivo aos estudos sobre direitos humanos no estado. “O fato de minha pesquisa ser a única proposta do estado habilitada na categoria nos convida a refletir não apenas sobre as oportunidades existentes para pesquisadores potiguares, mas também sobre a importância das políticas públicas surgidas a partir de 2024 para que essas pesquisas sejam realizadas e reconhecidas na sociedade”, reflete.
Sobre o trabalho
Conforme a autora, o trabalho nasceu da preocupação em compreender o avanço de forças antidemocráticas que, segundo a pesquisadora, compartilham uma gramática de poder semelhante à dos regimes totalitários.
Na pesquisa, Ana Farias parte do pensamento da filósofa alemã Hannah Arendt, e investiga elementos como a mentira organizada, a solidão organizada e a produção da superfluidade humana.
“Gosto muito de uma reflexão de Hannah Arendt sobre a transformação da mentira em instrumento político. A mentira, que antes permanecia circunscrita à esfera privada, transforma-se, na era moderna, em instrumento de manipulação da verdade factual, capaz de produzir fissuras na realidade coletiva”, explica.
A tese defende a educação em direitos humanos como possibilidade de formação pautada pela proteção da pluralidade e pela defesa da dignidade humana. “Educar para os direitos humanos é criar condições para que toda pessoa possa pensar, existir e agir no mundo sem temer que o outro precise ser destruído para que ela própria possa existir”, afirma a autora.
Importância
A pesquisadora explica que, para ela, a educação pública representa uma salvaguarda do direito de existir, de pensar e de ocupar um lugar no mundo. Ela adiciona também que a conquista simboliza a possibilidade de transformar uma inquietação individual em contribuição para uma discussão coletiva.
Além disso, Ana Farias destaca a importância de mostrar que uma mãe pode ser pesquisadora. “Quando ingressei no mestrado e, logo depois, dei continuidade ao doutorado, meu filho ainda era um bebê de colo. Digo isso não para romantizar as dificuldades, mas para afirmar que as mulheres, especialmente as mães, quando encontram condições concretas para pesquisar, podem produzir ciência de qualidade”, conta.
Ela explica isso citando o Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), local onde atualmente trabalha como auditora interna, que lhe concedeu o afastamento para pós-graduação stricto sensu, permitindo que se dedicasse à pesquisa.
A pesquisadora também enfatiza o valor dessa conquista para a Universidade: “Minha tese nasceu na UFRN e foi desenvolvida no Centro de Educação. Ela é o resultado de anos de tempo e de investimento feitos por uma universidade pública.”


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