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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

ENEM 2026: professora de linguagens aponta 5 possíveis temas de redação e dá dicas para evitar erros na reta final

Coordenadora da área de Linguagens do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro, destaca mudanças climáticas, inteligência artificial e saúde mental entre as apostas e orienta estudantes sobre como revisar conteúdos e administrar o tempo de prova

Alexandre Campbell/IMPA


Com a aproximação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2026, estudantes de todo o país intensificam a preparação para uma das etapas mais importantes do calendário educacional. Além da revisão dos conteúdos, a expectativa em torno do tema da redação costuma aumentar a ansiedade dos candidatos. Para ajudar nessa reta final, Cristiane Lopes, coordenadora da área de Linguagens do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro, aponta cinco assuntos que merecem atenção e compartilha estratégias para melhorar o desempenho na prova.


Entre as apostas da educadora estão mudanças climáticas e racismo ambiental, envelhecimento populacional, impactos da inteligência artificial, saúde mental dos jovens e segurança alimentar. São questões contemporâneas que permitem discutir desafios sociais, direitos e possíveis soluções para problemas brasileiros.


Cinco possíveis temas para a redação do ENEM 2026


  1. Mudanças climáticas, racismo ambiental e justiça climática


Os eventos climáticos extremos registrados no Brasil, como secas e enchentes, ampliam o debate sobre as desigualdades na exposição aos riscos ambientais. A discussão envolve especialmente as populações mais vulneráveis, que frequentemente enfrentam maiores dificuldades para se proteger e se recuperar de tragédias.


  1. Desafios do envelhecimento populacional e a economia do cuidado


O aumento da expectativa de vida no país traz questionamentos sobre a infraestrutura de atendimento à população idosa e a valorização do trabalho de cuidado, muitas vezes desempenhado por mulheres. O tema permite abordar direitos sociais, envelhecimento e desigualdades nas responsabilidades familiares.


  1. Impactos da inteligência artificial no trabalho e na educação


Mais do que o avanço das ferramentas tecnológicas, a discussão envolve suas consequências éticas e sociais. A precarização das relações de trabalho, as transformações na educação e a exclusão digital são alguns dos aspectos que podem ser explorados.


  1. Saúde mental de jovens e adolescentes na era digital


O uso intenso das redes sociais, o cyberbullying e os transtornos de ansiedade entre jovens e adolescentes colocam a saúde mental em evidência. A temática abre espaço para reflexões sobre comportamento digital, prevenção e saúde pública.


  1. Segurança alimentar e combate ao desperdício


A garantia do direito à alimentação saudável, em contraste com a fome e a perda de alimentos ao longo da cadeia produtiva, é outro assunto destacado pela coordenadora. A discussão pode envolver desigualdade social, consumo e desperdício.


Como treinar a redação nos últimos dias?


Para Cristiane, a reta final exige organização e exercícios direcionados. Uma das recomendações é treinar a produção da redação em um intervalo de uma hora a uma hora e quinze minutos, considerando tanto o planejamento e o rascunho quanto a passagem do texto a limpo.


Outra estratégia é praticar a elaboração de projetos de texto, sem necessariamente escrever uma redação completa a cada exercício. Em cerca de dez minutos, o estudante pode definir o problema central do tema, duas causas ou consequências e uma possível proposta de intervenção.


A coordenadora também recomenda retomar redações anteriores que receberam avaliações mais baixas e reescrevê-las a partir das observações feitas pelos professores. Dessa forma, o candidato consegue identificar dificuldades recorrentes e trabalhar pontos específicos de melhoria.


Quais repertórios podem ajudar na argumentação?


A coordenadora indica referências históricas, filosóficas, sociológicas e jurídicas que podem ser utilizadas na construção de argumentos, desde que estejam relacionadas ao tema proposto.


Entre elas estão a Constituição Federal de 1988, especialmente os artigos 5º e 6º, que tratam de direitos fundamentais e sociais, e conceitos como Cidadania Mutilada, de Milton Santos; Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman; e Banalidade do Mal, de Hannah Arendt.


A Revolução Industrial, o processo de urbanização brasileira e dados de instituições como IBGE, Ipea e Organização Mundial da Saúde (OMS) também podem contribuir para fundamentar a discussão.


O que priorizar na reta final?


A orientação de Cristiane é apostar na revisão estratégica, em vez de tentar aprender conteúdos inéditos e complexos às vésperas da prova. Na área de Linguagens, a coordenadora destaca a importância de revisar interpretação de texto, funções da linguagem, figuras de linguagem e Literatura Modernista. Além do domínio dos conteúdos, ela chama a atenção para a necessidade de administrar o tempo e manter uma leitura cuidadosa das questões.


Três erros que podem comprometer a redação


A coordenadora identifica três pontos que merecem atenção especial dos candidatos:


Fuga parcial do tema: ocorre quando o estudante aborda o assunto de maneira genérica, mas deixa de desenvolver o recorte específico solicitado pela proposta. Por exemplo, escrever sobre tecnologia sem discutir os impactos éticos da inteligência artificial, caso esse seja o foco apresentado.


Proposta de intervenção incompleta: para atender plenamente aos critérios avaliados nessa parte da redação, a orientação é apresentar cinco elementos: agente, ação, meio ou modo, efeito ou finalidade e detalhamento.


Uso inadequado de conectivos: empregar expressões que não correspondem à relação lógica entre as ideias ou repetir excessivamente os mesmos conectores pode prejudicar a articulação do texto.


Atenção também às questões objetivas


Nas provas de múltipla escolha, Cristiane destaca três situações que podem comprometer o desempenho. A primeira é a falta de gestão do tempo. Dedicar muitos minutos a uma única questão complexa pode reduzir o tempo disponível para resolver outras mais simples.


A segunda é a leitura desatenta dos comandos. Palavras como "incorreto", "exceto" e "principalmente" podem mudar completamente o que a questão solicita. Por isso, a recomendação é observar atentamente esses termos antes de marcar a resposta.


Por fim, a coordenadora alerta para os riscos de deixar o preenchimento do cartão-resposta para os últimos minutos, quando a pressa pode favorecer rasuras e erros na marcação das alternativas.


Cinco filmes e séries para ampliar o repertório cultural


Além dos exercícios de escrita, Cristiane sugere produções audiovisuais que podem contribuir para ampliar o conhecimento sobre questões sociais e ajudar os estudantes a construir referências para a redação.


  • Olhos que Condenam (minissérie): aborda racismo estrutural, falhas do sistema judiciário e direitos humanos.
  • Que Horas Ela Volta? (filme): discute desigualdade social, relações de classe e valorização do trabalho doméstico e de cuidado.
  • Black Mirror (série): apresenta reflexões sobre dependência tecnológica, ética na inteligência artificial e privacidade de dados.
  • O Menino que Descobriu o Vento (filme): relaciona educação, inovação científica e os impactos das secas sobre comunidades.
  • Ilha das Flores (documentário): permite discutir consumo, desigualdade, gestão de resíduos e dignidade humana.


A proposta é utilizar essas produções não apenas como entretenimento, mas também como oportunidades para refletir sobre diferentes realidades e ampliar o repertório argumentativo.

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