A traição das elites


A saída da crise não está nos carneiros que a tudo dizem sim, mas nas pessoas que têm a coragem de se manifestar contra.

Nos tempos em que a direita mandava no Brasil, o escritor brasileiro Luís Fernando Veríssimo acordou com uma má disposição redentora e entregou a sua coluna em inglês num diário de São Paulo. Garantiu que quem mandava no país era a gente de Washington e do FMI e ele tinha a ambição de escrever directamente para as pessoas que contavam. Jurou que a partir daquele dia se exprimiria sempre em inglês, salvo nas palavras portuguesas intraduzíveis, como ?marketing?e ?cash-flow?. 

Lamentavelmente, o meu alemão é inexistente. Aquilo que vou expressar dirige-se apenas àquele grupo de escoteiros da Merkel que tem como função traduzir para os nativos as ordens externas. 

Não vale a penas cortar milhares de milhões de euros às despesas sociais, destruir o tecido econômico, mandar para o desemprego centenas de milhares de pessoas, quando é claro que esta política europeia está a levar o continente e o mundo ao desastre. O remédio que nos aplicaram é o mesmo da Grécia, e dá para ver, por esse país que está há mais tempo a sofrer da cura, qual vai ser o resultado final. No dia em que Atenas cair, tudo vai desabar como um baralho de cartas. Precisamos de um governo que lute por uma outra política e não de um grupo de pessoas que têm como ambição lamber a mão da chanceler alemã ou do Obama. Se o governo não percebe isso, é preciso que a rua lhe diga. A saída da crise não está nos carneiros que a tudo dizem sim, mas nas pessoas que têm a coragem de se manifestar contra. 

Mídia Independente

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