Cavendish, Pagot e prefeito de Palmas vão prestar depoimento à CPI do Cachoeira



A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista que investiga as relações de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados aprovou, na manhã desta quinta-feira (5), a convocação de mais cinco pessoas, entre elas o ex-sócio da construtora Delta, Fernando Cavendish; e o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Luiz Antônio Pagot. Também foram aprovados vários requerimentos de quebras de sigilos e de pedidos de providências e informações.
O prefeito de Palmas (TO), Raul Filho (PT), também teve a convocação aprovada pelos parlamentares. Ele aparece em um vídeo, recentemente divulgado pela imprensa, negociando o financiamento de sua campanha com Carlinhos Cachoeira em 2004. Em troca do apoio financeiro, o prefeito petista favoreceria a organização criminosa em contratos com a administração da capital de Tocantins. O depoimento dele já foi marcado para a próxima terça-feira (10). Os demais ainda terão as datas definidas.
A ida de Cavendish à CPI mista vinha sendo discutida há semanas pelos parlamentares. Licenciado da presidência do conselho de administração da Delta desde  abril deste ano, Cavendish comandava uma das maiores empreiteiras do país, apontada pela Polícia Federal como braço essencial do esquema de corrupção do contraventor goiano.
Outro nome sobre o qual houve controvérsias em reuniões anteriores da comissão é o de Pagot. Em entrevistas à imprensa, ele pôs-se à disposição para ir à CPI a fim de dar detalhes sobre a insistência da Delta em conseguir contratos no Dnit. Ele denunciou ainda esquemas de “caixa 2” em campanhas do PSDB e disse que intermediou doações de empreiteiras a campanhas do PT.
Divergência
Boa parte da reunião foi marcada por embate entre parlamentares da oposição e da base aliada. Os governistas defenderam e conseguiram aprovar a convocação de Paulo Vieira de Souza, também conhecido como Paulo Preto, acusado por Pagot, em entrevista à revista Isto é, de ter pressionado pela liberação de recursos que seriam usados como “caixa 2” de campanhas do PSDB. Paulo Preto foi diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.) no governo de José Serra em São Paulo e comandou a construção do Rodoanel e da ampliação das vias marginais da capital.
Já a oposição não obteve sucesso na tentativa de convocação do deputado federal José De Filippi (PT-SP), tesoureiro da campanha da presidente Dilma. O requerimento foi derrotado por 17 votos a 10. José De Filippi foi acusado por Pagot de intermediar pedidos de doações a construtoras.
– Pagot disse claramente em reportagens que, no caso de Paulo Preto, houve propina e ‘caixa 2’. No caso de José De Filippi, houve arrecadação de campanha para o ‘caixa 1’, tudo legal e declarado. Não há nada que incrimine o deputado ou a campanha da presidente Dilma. Por isso, entendemos não ser necessária a convocação dele – afirmou o relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG).
Para os oposicionistas, foi uma decisão política. De acordo com o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), negar a vinda de Filippi seria “subestimar a inteligência das pessoas”.
Liberação
No início da reunião, os parlamentares decidiram, por votação, manter a sistemática de interrogatório que vem sendo adotada pela CPI. Os convocados que evocarem o direito constitucional de permanecer em silêncio diante das perguntas serão imediatamente dispensados pelo presidente Vital do Rêgo (PMDB-PB). Parte dos deputados e senadores queria ter o direito de indagar mesmo diante da negativa dos convocados.
Outros nomes aprovados nesta quinta-feira para prestar esclarecimentos à CPI:
Adir Assad: empresário de São Paulo que atua nos segmentos de construção civil e eventos. Suas empresas, entre as quais a SM Terraplenagem, receberam cerca de R$ 50 milhões da Delta.
Paulo Augusto Moreira: vai à CPI na condição de convidado. Juiz da 11ª Vara Federal em Goiânia, atuou na operação Monte Carlo e se afastou do caso após denunciar ter sido alvo de constantes ameaças.
Andréa Aprígio de Souza: ex-mulher de Carlos Cachoeira, seria usada como laranja do grupo, com patrimônio e movimentação financeira incompatível com o rendimento.
* José Augusto Quintela e Romênio Marcelino Machado: ex-sócios da Sigma Engenharia e Consultoria, empresa que serviria de fachada para as operações da Delta. Foram eles quem gravaram conversas de Cachoeira afirmando que poderia comprar um senador com R$ 6 milhões.
Agência Senado

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