Novos confrontos no Egito causam dezenas de mortos

O porta-voz do Ministério de Saúde do Egito, Khaled el-Khateeb, que citou os números, disse que, por enquanto, as autoridades só contaram as vítimas que foram levadas aos centros dependentes, um facto que exclui as pessoas mortas que foram levadas ao hospital de campanha de Rabea al Adauiya. A diferença no número de mortos não pode ser conferida de imediato.

Os confrontos começaram após centenas de partidários de Mursi serem retirados de um local sitiado fora da mesquita Rabaah al Adawiyah, no leste do Cairo, na noite de sexta-feira (26). Um grupo começou a armar tendas numa avenida adjacente, onde planeava ficar por pelo menos três dias, disse Mahmoud Zaqzouq, um porta-voz da Irmandade Muçulmana.

Ao mesmo tempo, outro grupo de manifestantes marchou na direção de um viaduto nas proximidades, onde foi recebido por uma saraivada de bombas de gás lacrimogéneo da polícia. Os manifestantes responderam lançando rochas e pedras às forças de segurança.

Outra fonte dos serviços de segurança relatou à Agência Efe que os confrontos começaram quando os partidários de Morsi tentaram bloquear a ponte 6 de Outubro, uma das principais da cidade.

O porta-voz do Ministério do Interior, major-general Abdel Latif, disse que 14 polícias e 37 soldados ficaram feridos na violência. Segundo ele, dois polícias foram feridos na cabeça com tiros. Latif culpou a Irmandade Muçulmana, que comanda os protestos, pelos confrontos mortais no Cairo e negou que os oficiais tenham disparado balas verdadeiras. "A polícia não usou mais que gás lacrimogéneo".

Já de acordo com os membros da Irmandade Muçulmana, citando fontes do hospital de campanha, a maioria dos mortos apresenta disparos de bala na cabeça, no pescoço e no peito. Eles afirmam que a polícia abriu fogo contra eles no começo da manhã, próximo ao monumento do soldado desconhecido, no caminho de Nasr, nas proximidades de Rabea al Adauiya.

Protestos

Nesta sexta-feira (26), o Egito registou grandes manifestações a favor e contra o golpe de estado que derrubou Mursi no último dia 3 de julho.

Na capital, os apoiantes de Morsi concentraram-se em Rabea al Adauiya e na Praça do Nahda, em Giza, enquanto dezenas de milhares de pessoas se reuniram na Praça Tahrir e nos seus arredores para dar apoio às forças armadas.

Os participantes do protesto da Praça Tahrir foram às ruas após um apelo do chefe do Exército Abdel Fatah al Sisi, que ontem convocou os cidadãos para apoiar as forças armadas e a polícia.

Artigo publicado em Opera Mundi

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