O noticiário policial e a nossa barbárie interior

O noticiário policial se apresenta como prestação de serviço para a comunidade, mas não tem nada disso em sua essência, é pura repressão de instintos bárbaros. Repare como no noticiário policial tudo precisa ser "urgente", ter um modelo chamativo. O ato de informar, que é típico da modernidade, se transforma no de exaltar a agressividade disfarçadamente dentro da escrita social de notícia.

A barbárie não se afasta de nós, e o noticiário policial se transforma em uma doença da sociedade que ao invés de cumprir esse papel de "serviço", faz o papel de propagador do medo e a criação de pautas conservadoras.

Quando se vive no Mundo da notícia policial quer-se sempre estar mais "informado", com notícia policial, é claro! Depara-se diante do fato com ar de comoção ou desconforto, mas lá dentro do EU reside a admiração pelo morto.

O noticiário policial não nasce atoa, a sociedade contribui: precisa ter imprensa, Direito Penal, delinquência, e esta é a decisiva, já que o alvo da notícia policial recai sobre um delinquente específico. Mas tem o mesmo da nossa reação eterna diante do morto, do trágico, da guerra, não se sabe se espanto ou admiração.

Mas num quadro de desagregação ou de profunda fragilidade social o noticiário policial é altamente daninho, este é o caso do Brasil, com suas taxas de homicídios elevadíssimas, escolaridade ainda precária e miséria social.

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