A vacina personalizada, com o imunoterápico Keytruda, mostrou em testes clínicos resultados promissores no combate ao melanoma

Os estudos mostraram que a combinação da vacina com a imunoterapia é fundamental para a eficácia do tratamento – Foto: Wikimedia Commons
Jornal da USP - A nova vacina mRNA-4157 contra câncer de pele reduz em 49% risco de morte e retorno do tumor, e mostrou em testes clínicos resultados promissores no combate ao melanoma, a forma mais letal da doença. Após um acompanhamento de cinco anos, foi indicada a combinação da vacina, chamada Autogene Intismeran, com o imunoterápico Keytruda, que reduziu significativamente o retorno da doença em pacientes com melanoma de alto risco.
Rúbens Alves, imunologista e virologista que coordena o grupo de Vigilância Genômica e Inovação em Vacinas e é pesquisador no Instituto Pasteur de São Paulo da USP, esclarece o conceito de vacinas personalizadas. “É uma tecnologia muito recente na medicina, mas o mais importante é que é feita individualmente, para um tipo específico de tratamento. Neste caso, uma vacina personalizada para o câncer é feita especificamente para o tumor daquele paciente.”
Funcionamento da vacina
“Primeiramente, o paciente vai passar por uma cirurgia para a remoção do tumor, após isso os pesquisadores farão uma análise genética para identificar mutações específicas deste. A partir disso, as proteínas do câncer serão identificadas, chamadas de neoantígenos, e utilizadas para a fabricação de uma vacina específica, de RNA mensageiro (mRNA), para aquela pessoa, que conterá as instruções para o organismo reconhecer as proteínas. Por fim, a vacina será aplicada e o sistema imunológico vai aprender a identificá-la, reconhecê-la como uma ameaça e destruirá essas células cancerígenas”, explica o imunologista.
Alves comenta também que a criação das vacinas personalizadas é uma revolução na área da saúde e, além de ser usada no combate a doenças infecciosas, poderá ser aplicada no combate a doenças raras, cancerígenas e até mesmo terapias regenerativas. “Uma das vantagens do RNA é que funcionará como uma instituição temporária para o organismo produzir essas proteínas, esses antígenos específicos para ensinar o sistema imunológico. Isso vai abrir possibilidade não só para doenças infecciosas, como a covid, que utilizou dessa mesma tecnologia, mas para inúmeras outras, então, eu acredito que em breve vamos ouvir falar muito mais do uso dessa tecnologia.”
Combinação e evolução
Os estudos mostraram que a combinação da vacina com a imunoterapia é fundamental para a eficácia do tratamento. O imunoterápico Keytruda “remove os freios do sistema imunológico”, que o tumor usa para se esconder no organismo, e a vacina ensina o sistema a reconhecer o câncer. “Essa combinação é essencial para a eficácia de 49% do tratamento. Hoje, sabemos que muitos dos cânceres precisam de abordagens combinadas para serem combatidos, como a imunoterapia, radioterapia, vacinas, cirurgias e outras.”
“No caso do câncer, é impressionante presenciar a evolução dos métodos de tratamento do passado, baseados em terapias agressivas que não necessariamente eram eficazes, para essas novas terapias que são desenhadas para o perfil biológico da pessoa. Também é muito otimista ver uma tecnologia que teve extrema importância para acabar com a pandemia da covid agora ser utilizada para tratar o câncer e, futuramente, diversas outras enfermidades”, finaliza Alves.


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