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segunda-feira, 23 de março de 2026

Brasil perde diariamente mais de 6 mil piscinas olímpicas de água tratada

Redução de perdas pode ampliar a oferta de água sem necessidade de novas captações e contribuir para o cumprimento de metas do setor


Tânia Rego/Agência Brasil


 

Um estudo do Instituto Trata Brasil, com base em dados de 2023, aponta que mais de 6 mil piscinas olímpicas de água tratada são perdidas diariamente, o que equivale a 21 milhões de caixas d’água (capacidade de 750 litros). Essas informações consideram o volume total de água não faturada (consumida sem autorização ou perdida antes de chegar ao consumidor) em 2023 — cerca de 5,8 bilhões de m³.

 

As perdas de água podem ocorrer por diversos motivos, como vazamentos, erros de medição e consumos não autorizados no processo de abastecimento de água. Esses desperdícios trazem impactos negativos ao meio ambiente e aos custos de produção das empresas, o que encarece o sistema como um todo, prejudicando, em última instância, todos os usuários.

 

No Brasil, a definição de nível aceitável de perdas de água foi estabelecida pela Portaria nº 490/2021, do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), que indica que, para um município apresentar níveis excelentes de perdas, deve registrar no máximo 25% de perdas na distribuição e 216 L/ligação/dia até 2034.

 

Reduzir as perdas significa aumentar a disponibilidade de recursos hídricos no sistema de distribuição sem a necessidade de ampliar o volume de água captado ou explorar novos mananciais, o que resulta em menores custos, além de evitar impactos ao meio ambiente.

 

Ao se considerar não a eliminação total das perdas físicas, mas a redução dos 40,31% (SINISA 2023) para os 25% previstos na Portaria nº 490/2021, o volume economizado seria da ordem de 1,9 bilhão de m³. Isso equivale ao consumo médio de aproximadamente 31 milhões de brasileiros em um ano, ou 92% da população que não tinha acesso ao abastecimento de água em 2023.

 

No mês que é celebrado o Dia Mundial da Água (22 de março), data criada pela Organização das Nações Unidas, o tema ganha ainda mais relevância e reforça a importância de valorizar e proteger esse recurso essencial para a vida. A data também chama a atenção para a necessidade de reduzir o desperdício e avançar na eficiência dos sistemas de abastecimento, especialmente em um cenário de mudanças climáticas, em que milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água.

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