Indicador IHCB, desenvolvido pela Hibou Pesquisas e Insights, traz achados sobre a relação emocional dos brasileiros com economia e consumo
27% dos brasileiros temem o aumento constante de preços. 57% afirmam que o preço dos alimentos é o que mais pesa

Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil
Um novo levantamento da Hibou Pesquisas e Insights que define o Índice Hibou do Consumidor Brasileiro (IHCB), indicador que mede o estado emocional, econômico e social do consumo no país, revela um cenário de forte pressão financeira entre os brasileiros: o país está na faixa “consumidor sobrevivente”, categoria que vai de 0 a 39 pontos e indica predominância de insegurança financeira e baixa confiança no ambiente econômico. (27 pontos, vide índice completo ao final).
Diferentemente de indicadores voltados apenas à renda ou expectativa econômica, o IHCB avalia como o brasileiro percebe sua capacidade real de viver, consumir e planejar o próprio futuro, integrando três dimensões centrais da experiência de consumo no país: segurança financeira, confiança no sistema e potência de consumo.
Resultados
Os resultados mostram que o consumo no Brasil hoje acontece sob forte tensão econômica e emocional. A principal emoção associada ao futuro do país é a preocupação (41,8%), seguida por insegurança (22,6%) e revolta (12,3%). Sentimentos positivos aparecem em menor proporção, como esperança (9,3%) e confiança (3%). Em um país onde a população é naturalmente mais otimista, esse olhar acende um alerta importante.
A percepção econômica também é majoritariamente negativa. Em comparação com um ano atrás, quase metade (48,4%) considera que a vida como consumidor está pior, 29,8% dizem que está um pouco pior e 18,6% afirmam estar muito pior, enquanto 26,4% consideram que está igual, 19,5% dizem estar um pouco melhor e 5,7% avaliam que está muito melhor.
Entre os fatores que mais pesam no cotidiano financeiro, o preço dos alimentos (57%) aparece como principal preocupação, seguido por impostos altos (42,1%), dificuldade para guardar dinheiro (33,9%), contas básicas como luz, água e gás (28,3%) e gastos com saúde (27,9%).
O medo financeiro também reflete essa pressão. O maior temor dos brasileiros é o aumento constante dos preços (27%), seguido por não conseguir pagar contas básicas (21,6%) e não conseguir se aposentar com segurança (16,6%).
Essa percepção se reflete na sensação de que o trabalho já não garante estabilidade. Apenas 15,8% dizem que trabalhar garante qualidade de vida totalmente, enquanto 39,7% afirmam que garante em parte, 15,9% dizem pouco e 28,7% avaliam que não garante.
A percepção sobre o custo de vida também reforça o cenário de pressão econômica: 78,9% afirmam que o custo de vida está muito acima da renda, 14% dizem que está um pouco acima, 2,6% consideram equilibrado e 4,6% afirmam estar abaixo da renda.
Esse ambiente impacta diretamente a segurança para planejar o futuro. 39,9% dizem sentir nenhuma segurança para planejar o futuro financeiro e 38,4% relatam pouca segurança, enquanto 14,7% afirmam ter alguma segurança, 5,1% dizem ter boa segurança e apenas 1,9% relatam muita segurança.
A relação com o sistema institucional também é marcada por desconfiança. 77,1% acreditam que os governantes não entendem a realidade do consumidor brasileiro, enquanto 16% dizem que entendem em parte e 5% afirmam que sim. Quando pensam em política no Brasil, os sentimentos predominantes são raiva (33,2%), desconfiança (28,7%) e cansaço (17,9%).
“O Brasil é continental, e quando olhamos todo o país e não apenas os grandes centros essa percepção de perda de qualidade de vida e o não entendimento local aumentam e reforçam a necessidade de políticas públicas eficientes que ajudem todos os brasileiros a terem uma vida mais equilibrada emocional e financeiramente”, diz Ligia Mello, CSO da Hibou e coordenadora da pesquisa.
Essa percepção se reflete também na avaliação sobre impostos: 74,7% acreditam que os impostos pagos não retornam em serviços de qualidade, enquanto 22,9% dizem que retornam parcialmente e 1,8% afirmam que sim.
Ao mesmo tempo, a população atribui grande responsabilidade ao poder público na melhoria da vida do consumidor. Para 51,8%, o governo deveria ter maior responsabilidade em melhorar a vida do consumidor brasileiro, enquanto 39,6% acreditam que essa responsabilidade deve ser de todos os envolvidos (governo, empresas, bancos e a população em geral)
Diante desse cenário, as prioridades apontadas pelos consumidores são claras. Se o governo pudesse resolver apenas um problema imediatamente, os brasileiros indicam diminuir impostos (27,5%), controlar a inflação (21,2%), melhorar a educação (15,8%), melhorar a segurança (15,3%) e melhorar a saúde pública (12,3%).
O impacto direto da pressão econômica aparece também no comportamento de consumo. Nos últimos 12 meses, os brasileiros reduziram principalmente gastos com lazer e entretenimento (50%), viagens (46,7%), comer fora de casa (46,3%) e roupas e calçados (39%).
“O resultado de 27 pontos no IHCB sintetiza um momento em que o consumo continua acontecendo, mas sob forte restrição financeira e emocional. Na leitura do índice, a faixa de 0 a 39 pontos indica um consumidor em sobrevivência, marcado por insegurança econômica, baixa confiança institucional e pouca autonomia para decisões de consumo além do básico” conclui Ligia Mello.


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