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| Desemprego volta a crescer e atinge 6,2 milhões de pessoas - Foto: Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil |
A taxa de desocupação no Brasil voltou a crescer no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, alcançando 5,8%, influenciada principalmente pela redução de vagas nos setores de saúde, educação e construção civil — movimento considerado comum nos primeiros meses do ano. Apesar da alta em relação aos períodos anteriores, o índice ainda representa o menor patamar para trimestres encerrados em fevereiro desde o início da série histórica, em 2012. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Mensal.
Segundo o levantamento, cerca de 6,2 milhões de pessoas buscaram emprego sem conseguir colocação no mercado de trabalho, número 600 mil superior ao registrado no trimestre encerrado em novembro de 2025. A população ocupada foi estimada em 102,1 milhões de pessoas, o que representa queda de 0,8% no trimestre, equivalente a menos 874 mil trabalhadores. Na comparação anual, porém, houve crescimento de 1,5 milhão de ocupados, alta de 1,5%.
A retração do emprego concentrou-se principalmente no grupamento que reúne administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que perdeu 696 mil postos de trabalho no período. A construção civil também registrou redução significativa, com menos 245 mil trabalhadores ocupados.
Entre as diferentes formas de inserção no mercado, o número de empregados do setor privado com carteira assinada permaneceu estável, totalizando 39,2 milhões de pessoas. Também não houve variações relevantes entre trabalhadores por conta própria, estimados em 26,1 milhões, empregadores, com 4,2 milhões, e trabalhadores domésticos, que somaram 5,5 milhões.
Por outro lado, o contingente de empregados do setor privado sem carteira assinada caiu em 342 mil pessoas, ficando em 13,3 milhões. O emprego no setor público, que inclui servidores estatutários e militares, também apresentou retração de 3,7% frente ao trimestre anterior, totalizando 12,6 milhões de trabalhadores.
O aumento da desocupação foi acompanhado pela elevação da subutilização da força de trabalho. A taxa composta — que inclui desocupados, subocupados por insuficiência de horas e pessoas disponíveis para trabalhar, mas fora da força de trabalho imediata — passou de 13,5% para 14,1% no período. Ao todo, 16,1 milhões de brasileiros estavam nessa condição, aumento de 675 mil pessoas em comparação ao trimestre anterior.
Apesar do cenário de perda pontual de vagas, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores manteve trajetória positiva e atingiu novo recorde, chegando a R$ 3.679. O valor representa crescimento de 2,0% em relação ao trimestre anterior e avanço de 5,2% na comparação anual.
Entre os setores econômicos, houve aumento dos rendimentos no comércio e reparação de veículos, com alta de 4,1%; na administração pública, educação, saúde e serviços sociais, com crescimento de 2,9%; e em outros serviços, que registraram elevação expressiva de 11,2%. Nos demais segmentos, não houve variações estatisticamente significativas.
A taxa de informalidade apresentou leve recuo, passando de 37,7% para 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,3 milhões de trabalhadores informais. De acordo com o IBGE, a queda foi influenciada principalmente pela redução da ocupação na construção civil — setor que concentra grande número de trabalhadores por conta própria sem CNPJ — e em atividades menos formalizadas da indústria e da agricultura.
Os dados indicam que, embora o mercado de trabalho tenha registrado desaceleração sazonal no início do ano, os indicadores estruturais seguem mostrando melhora gradual, com renda em alta, informalidade em leve queda e nível de desocupação ainda em mínimos históricos para o período.




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