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sábado, 28 de março de 2026

Menos de três meses depois, Bodocó paga R$ 110 mil a menos que Caicó por show de Vanessa da Mata






Menos de três meses após a Prefeitura de Caicó desembolsar R$ 400 mil por um show realizado em 31 de dezembro, o município de Bodocó, no Sertão de Pernambuco, contratou a cantora Vanessa da Mata por R$ 290 mil para apresentação na ExpoMarço 2026 — uma diferença de R$ 110 mil pelo mesmo espetáculo artístico.


A comparação entre os dois contratos reacende questionamentos sobre os critérios adotados por administrações municipais na aplicação de recursos públicos em eventos festivos, sobretudo diante da significativa variação de valores em curto intervalo de tempo.


No caso de Caicó, o pagamento de R$ 400 mil é alvo de uma ação popular que tramita na Justiça estadual. No processo, discute-se a legalidade e a razoabilidade do gasto público, especialmente diante das circunstâncias políticas do evento e da ausência de justificativas técnicas consideradas suficientes pelos autores da ação. O Ministério Público, ao se manifestar no processo, entretanto, encampou a tese de defesa para a prefeitura segundo a qual o valor do cachê dependeria da sazonalidade da contratação.


Ora, se a sazonalidade de ser o show no último dia do ano, quando a cantora estava de férias na casa da mãe era só não contratar. Por acaso dinheiro público é passível de ser jogado no lixo em um evento jamais realizado?


O debate local ocorre em sintonia com discussão nacional ampliada por reportagem recente do UOL, que identificou que ao menos 1.074 municípios brasileiros em situação fiscal problemática gastaram cerca de R$ 2,1 bilhões com cachês de artistas nos últimos dois anos. O levantamento mostrou grandes disparidades nos valores pagos por diferentes cidades para apresentações semelhantes, levantando dúvidas sobre planejamento, economicidade e transparência nas contratações públicas.


A diferença de valores entre Caicó e Bodocó passa agora a integrar o debate jurídico e político sobre o uso do dinheiro público em shows financiados por prefeituras, reforçando cobranças por maior transparência, justificativas técnicas consistentes e controle social sobre despesas festivas realizadas por municípios brasileiros.

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