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| Letícia Porfírio Banco Uninter |
Letícia Porfírio*
Durante muito tempo, o cinema brasileiro viveu entre dois estereótipos: o da dificuldade de financiamento e o da suposta falta do público, e finalmente nos últimos anos essa narrativa começou a mudar. Bilheterias expressivas, reconhecimento internacional e a presença crescente de atores brasileiros em produções globais indicam que a indústria nacional atravessa um momento de forte visibilidade, dentro e fora do país.
Um dos maiores marcos dessa nova fase foi o sucesso de Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres. O filme conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, a primeira estatueta da Academia nessa categoria para o Brasil, além de acumular mais de 70 prêmios em festivais ao redor do mundo. Nos cinemas brasileiros, a produção superou 5 milhões de espectadores e cerca de R$ 159 milhões em bilheteria, consolidando-se como uma das maiores arrecadações nacionais recentes.
O impacto não foi apenas simbólico. O reconhecimento internacional ajudou a ampliar o interesse pelo cinema nacional. Entre 2024 e 2025, as vendas de ingressos para produções brasileiras cresceram 197%, segundo levantamento do setor exibidor.
Outro exemplo dessa retomada é O Auto da Compadecida 2, sequência do clássico inspirado na obra de Ariano Suassuna. O longa ultrapassou 4 milhões de espectadores e arrecadou cerca de R$ 78,9 milhões, demonstrando que histórias profundamente brasileiras continuam mobilizando grandes públicos nas salas de cinema.
Ao mesmo tempo, a projeção internacional de nossos artistas também cresce. O diretor Kleber Mendonça Filho e o ator Wagner Moura foram premiados no Festival de Cannes por O Agente Secreto, com Moura recebendo o prêmio de Melhor Ator, feito inédito para um brasileiro na categoria.
Enquanto isso, nomes já conhecidos do público ampliam sua presença em produções estrangeiras. Selton Mello, por exemplo, participa do elenco do novo Anaconda, reforçando um movimento que tem colocado atores brasileiros em produções internacionais cada vez mais relevantes.
Esse conjunto de acontecimentos revela algo importante: o cinema brasileiro vive um momento de maturidade. A indústria nacional combina diversidade estética, reconhecimento em festivais e forte conexão com o público. Mais do que uma sequência de sucessos isolados, trata-se de um ecossistema que começa a ganhar consistência.
Se antes a pergunta era se o Brasil conseguiria competir com o cinema internacional, hoje a discussão parece outra: como aproveitar esse momento para fortalecer a produção nacional, ampliar a circulação de nossas histórias e consolidar o país como um dos polos criativos do audiovisual contemporâneo.
O cinema brasileiro sempre teve boas histórias. Agora, cada vez mais, o mundo também está assistindo.
*Letícia Porfírio é graduada em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, mestre em Comunicação e Linguagens, doutoranda em Comunicação e Linguagens e professora do CST Marketing Digital na Uninter.



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