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terça-feira, 14 de abril de 2026

Advogado explica quais os cuidados necessários para proteger a margem das empresas com a reforma tributária

Mudança no sistema de impostos pressiona empresas a reorganizar custos, rever regimes fiscais e transformar gestão financeira em vantagem competitiva



O Brasil tem hoje mais de 23 milhões de empresas ativas, mas uma parcela relevante enfrenta dificuldades financeiras. Dados da Serasa Experian indicam que cerca de 7,3 milhões de negócios estão inadimplentes, acumulando dívidas superiores a R$ 170 bilhões. Ao mesmo tempo, estudos sobre estrutura de custos e competitividade empresarial apontam que grande parte das empresas brasileiras opera com margens apertadas, muitas vezes inferiores a dois dígitos. 

Nesse ambiente de rentabilidade limitada, a reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional recoloca a gestão de margem no centro das decisões estratégicas das companhias.

Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em reestruturação empresarial com 14 anos de atuação no setor, afirma que o debate em torno da reforma frequentemente se concentra em disputas políticas, enquanto o impacto real acontece dentro das empresas. “O empresário não vive de ideologia, vive de margem. No final do mês o que determina se o negócio continua operando é a diferença entre receita e custo. Se essa margem desaparece, não existe empresa que sobreviva”, afirma.

A reforma cria um novo modelo de tributação sobre o consumo baseado em um IVA dual, com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), administrado por estados e municípios. 

A proposta busca simplificar o sistema atual, marcado por múltiplos tributos e regras complexas. Para especialistas, a mudança tende a reduzir parte da burocracia tributária ao longo do tempo, mas também exigirá adaptação das empresas durante o período de transição.

Na prática, o novo modelo deve exigir maior organização financeira e planejamento tributário por parte das companhias. Segundo o especialista, durante muitos anos a complexidade do sistema brasileiro acabou mascarando ineficiências internas de gestão.

“Durante muito tempo a dificuldade de entender o sistema tributário permitiu que empresas operassem com pouca organização financeira. Com a reforma, a tendência é que a gestão se torne mais transparente e comparável. Quem tem controle de custos e planejamento fiscal tende a ganhar competitividade”, explica.

A mudança também desloca o foco da discussão empresarial para dentro das organizações. Em vez de olhar apenas para o valor da carga tributária, empresários precisarão compreender como os tributos incidem sobre cada etapa do negócio, desde a cadeia de fornecedores até a formação de preços. “Não se trata apenas de pagar imposto. É entender como o imposto afeta o modelo de negócio, o fluxo de caixa e a formação da margem. Empresas que dominam essa estrutura conseguem se adaptar mais rápido e proteger a rentabilidade”, afirma.

A adaptação ao novo sistema exige diagnóstico técnico da operação. Revisão de regimes tributários, reorganização societária e análise detalhada da estrutura de custos estão entre as primeiras etapas recomendadas por especialistas. “Quem começa a avaliar esses pontos antes da transição ganha tempo para ajustar precificação, renegociar contratos e reorganizar o fluxo financeiro. Quem deixa para depois pode perceber o impacto apenas quando a margem já foi comprometida”, alerta.

Nesse processo, cresce também a importância da escolha de assessorias especializadas. Escritórios com experiência em planejamento tributário e reestruturação empresarial tendem a assumir papel mais estratégico no apoio às empresas. “O empresário precisa de profissionais que entendam o negócio como um todo. Não basta calcular tributo. É preciso avaliar estrutura societária, regime fiscal, custos e riscos financeiros”, aponta.

Para empresas que desejam transformar a reforma tributária em oportunidade de organização e ganho de competitividade, especialistas apontam alguns cuidados essenciais.

O especialista aponta cinco cuidados estratégicos para proteger a margem das empresas com a reforma tributária

A transição para o novo sistema fiscal exige planejamento e visão estratégica. A seguir, especialistas indicam pontos de atenção que podem ajudar empresas a preservar rentabilidade e evitar impactos negativos no caixa.

 

  • Revisar o regime tributário da empresa
    Muitas companhias permanecem anos no mesmo enquadramento fiscal sem avaliar se ele continua adequado ao modelo de negócio. Com a reforma, essa revisão torna-se ainda mais relevante, já que mudanças na forma de tributação podem alterar significativamente a carga efetiva de impostos.
  • Mapear com precisão a estrutura de custos
    Empresas que conhecem detalhadamente seus custos operacionais conseguem reagir mais rapidamente a mudanças tributárias. Identificar margem de contribuição, despesas fixas e variáveis ajuda a ajustar preços e preservar rentabilidade.
  • Avaliar a estrutura societária
    Em alguns casos, reorganizações societárias podem melhorar eficiência tributária e facilitar a gestão financeira da empresa. Essa análise exige avaliação técnica para evitar riscos fiscais ou operacionais.
  • Buscar assessoria especializada
    Nem toda consultoria contábil está preparada para conduzir processos de planejamento tributário estratégico. Profissionais com experiência em reestruturação empresarial conseguem analisar impactos fiscais dentro de uma visão mais ampla do negócio.
  • Planejar decisões financeiras com antecedência
    A implementação da reforma ocorrerá de forma gradual ao longo dos próximos anos. Empresas que anteciparem ajustes de precificação, contratos e fluxo de caixa tendem a enfrentar menos turbulência durante o período de adaptação.

 

Na avaliação de especialistas, o principal efeito da reforma pode ser o estímulo à profissionalização da gestão empresarial. Negócios que utilizarem o período de transição para reorganizar processos financeiros e tributários tendem a ganhar eficiência e previsibilidade.

“O empresário que entende que margem é estratégia passa a tomar decisões mais racionais. A reforma tributária não é apenas uma mudança na legislação. Ela força as empresas a olhar para dentro e organizar a própria gestão”, conclui.

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