Depois que se transformou em promotora de eventos, a Prefeitura de Caicó vem desperdiçando recursos públicos com atrações de baixíssimo valor artístico, contribuindo para a deseducação cultural de uma população que já enfrenta graves deficiências educacionais. Ao mesmo tempo, utiliza de forma desarticulada obras financiadas por emendas parlamentares dentro de uma conhecida engrenagem de favores políticos.
Em geral, as atrações contratadas são de qualidade duvidosa e, ainda assim, custam valores exorbitantes. “Cantores” sem relevância artística chegam a cobrar cachês de até R$ 1 milhão. O contraste é evidente: artistas de reconhecida qualidade nacional muitas vezes cobram menos. Enquanto Wesley Safadão, por exemplo, costuma receber cerca de R$ 1,4 milhão por apresentação, a cantora Mariana Aydar — referência no forró contemporâneo — cobra entre R$ 62 mil e R$ 130 mil.
Diante dessa farra de gastos com shows, os órgãos de controle do Rio Grande do Norte divulgaram, na última semana, uma Nota Técnica estabelecendo parâmetros orientadores para despesas públicas com os festejos juninos de 2026, diretrizes que também podem servir de referência para outros eventos.
Segundo o documento, em razão do coeficiente 2,4 no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Caicó teria como teto recomendável para cachês o valor de R$ 500 mil.
À luz desse parâmetro, alguns contratos recentes ultrapassariam o limite sugerido:
Tony Salles: contratado por R$ 600 mil em fevereiro;
Henry Freitas: contratado para o Carnaval de 2026 por R$ 700 mil.
Outras aberrações cujos cachês usuais também superariam esse teto incluem:
Xande Avião: cerca de R$ 800 mil;
Wesley Safadão: cerca de R$ 1,4 milhão;
Natanzinho: cerca de R$ 750 mil.



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