As multidões erram em todas as partes do mundo, e o voto é a fórmula universal de formação do poder republicano e democrático. Com medo dos demagogos, os fundadores da República dos Estados Unidos da América estabeleceram o Colégio Eleitoral. Em 2016, o populista Donald Trump perdeu no voto popular, mas venceu no colégio eleitoral, a contenção produziu o que almejava evitar...
Aqui no Brasil, vivemos duas grandes alucinações de nosso eleitorado. Em 1989, após quase 30 anos sem eleições diretas para presidente, tínhamos candidatos de todos os espectros políticos. Mesmo assim, o povo brasileiro trocou Ulisses Guimarães — símbolo da redemocratização — por Fernando Collor. Em 2018, diante de nomes como Geraldo Alckmin, Ciro Gomes, Marina Silva, Fernando Haddad e João Amoedo, o país elegeu o facínora condenado por atentar contra a democracia, Jair Bolsonaro, que proporcionou quatro anos de terror ao país.
Agora, às vésperas das eleições gerais de outubro, o Partido Liberal determinou, sem qualquer consulta prévia, a candidatura de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente condenado — um sujeito que sequer conhece o Brasil em sua diversidade real e não possui nenhuma experiência administrativa relevante. Jair Bolsonaro já havia colocado todos os seus filhos para viverem de cargos eletivos, como num espólio familiar do poder.
Então, será o Brasil uma empresa familiar, cuja gestão se deva a um sobrenome? Isso é brincar com o destino do país ou seria uma volta disfarçada às velhas oligarquias e às capitanias hereditárias? A diferença é que, nos tempos coloniais, ao menos se reconhecia abertamente o privilégio de sangue. Hoje, tentam maquiá-lo de vontade popular. Um sobrenome não pode valer mais do que a soberania nacional.



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