Mudanças no mercado, como quebra de patente do Ozempic, devem aumentar uso; médico alerta para riscos sem acompanhamento
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou que vai discutir nesta quarta-feira (29) novas regras para a manipulação de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, usados no tratamento da obesidade e popularizados como “canetas emagrecedoras”.
O debate ocorre em um momento de transformação no mercado desses medicamentos, impulsionado, entre outros fatores, pela quebra de patente do Ozempic, à base de semaglutida. A tendência é de aumento no acesso, mas também de novos desafios no uso. “Com a entrada de novos fabricantes e a redução de custos, mais pessoas passam a ter acesso a esse tipo de medicação. Mas isso não significa, necessariamente, que haverá uma migração em massa de pacientes que hoje utilizam alternativas mais modernas”, analisa o médico Leonardo de Gasperi, especialista em medicina do estilo de vida.
Segundo ele, pacientes que já utilizam medicamentos mais recentes, como a tirzepatida, tendem a manter o tratamento, mesmo diante de opções mais baratas. “Se o preço fosse o principal fator, essas pessoas provavelmente já estariam utilizando a semaglutida, que há tempos é mais acessível”, explica De Gasperi, que atua na Região Metropolitana de Campinas.
Anvisa barra novos produtos
Esses episódios evidenciam a necessidade de cautela em um cenário de expansão do mercado. Com mais opções disponíveis, cresce também o risco de uso inadequado ou de acesso a produtos sem comprovação científica suficiente.
Riscos vão além do peso
Entre os principais efeitos associados ao uso sem acompanhamento estão a perda de massa muscular, deficiências nutricionais e até quadros de desnutrição.
Isso ocorre, segundo o médico, porque o foco costuma permanecer apenas no peso. “O problema é tratar o sintoma sem olhar para a causa. O peso é reflexo dos hábitos. Emagrecer é consequência de se tornar uma pessoa saudável”, destaca.
Estímulo inicial pode enganar
Apesar dos riscos, os medicamentos também têm um papel importante no início do processo. A perda de peso inicial pode funcionar como estímulo para mudanças de hábito. “Muitas vezes, o que dificulta a mudança de comportamento é a falta de resultado visível. Quando a paciente começa a ver mudanças no corpo, isso ajuda na adesão”, explica. O problema, segundo ele, está em depender exclusivamente da medicação. “Sem construir uma base sustentável de saúde, o resultado não se mantém”, completa.
Para o médico, o momento atual exige mais do que ampliar o uso. “A discussão não deve ser apenas qual medicação usar, mas que tipo de saúde estamos construindo”, conclui.


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