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segunda-feira, 27 de abril de 2026

O escândalo de Coxixola e a farra das cidades insustentáveis



Uma cidade de apenas 1.824 habitantes, apontada entre as mais pobres do Brasil e dependente de repasses federais para sobreviver, decidiu gastar cerca de R$ 2,5 milhões em comemorações de aniversário. O destaque da farra é o cachê de R$ 1,3 milhão pago ao animador de plateias Wesley Safadão, sempre ele, para um único show.


É preciso dizer com clareza: isso é um escárnio. Em um município sem arrecadação própria relevante, onde faltam oportunidades, investimentos e infraestrutura básica, destinar cifras milionárias para poucas horas de entretenimento representa um grave desrespeito ao contribuinte. O dinheiro público, especialmente em cidades pobres, deveria ter compromisso com prioridades reais, não com espetáculo financiado pelo bolso da população.


Também cabe questionamento ao próprio "artista" e ao mercado de entretenimento. É legítimo aceitar cachês milionários pagos por municípios pobres e dependentes de verbas públicas? Embora o contrato possa ser legal, existe uma dimensão ética que não pode ser ignorada. Artistas que se beneficiam desse modelo tornam-se parte dele. Safadão, além de poluir o país ainda coloca o orçamento público em risco.


Mais preocupante ainda é a aparente normalização desses excessos. Tribunais de contas e Ministérios Públicos precisam agir com firmeza diante de casos assim. O dinheiro público não pode ser tratado como caixa promocional de prefeitos ou fonte inesgotável para negócios privados. O Ministério Público da Paraíba tem sido mais omisso que o do Rio Grande do Norte que, pelo menos, estabeleceu tetos.


O show em Coxixola dura uma noite. A pobreza do município permanece no dia seguinte. O palco será desmontado, o som desligado e as luzes apagadas. A conta, porém, continuará sendo paga pelos brasileiros.

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