Aumento reflete uma reversão parcial da melhoria observada nos últimos anos.
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| Joven Pan |
A desigualdade social voltou a crescer no Brasil em 2025, após atingir no ano anterior o menor nível da série histórica iniciada em 2012. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o avanço da renda dos brasileiros mais ricos ocorreu em ritmo muito superior ao registrado entre os mais pobres, revertendo parcialmente a melhora observada nos últimos anos.
Segundo o levantamento, o coeficiente de Gini do rendimento domiciliar per capita — principal indicador utilizado internacionalmente para medir desigualdade — subiu de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025. Quanto mais próximo de 1, maior é a concentração de renda.
Embora o índice permaneça abaixo dos níveis observados antes da pandemia da COVID-19, o aumento evidencia que a desigualdade segue como um dos principais desafios estruturais do país.
Os dados mostram que o rendimento dos 10% mais pobres cresceu 3,1% em termos reais no último ano. Já entre os 10% mais ricos, a alta foi de 8,7%, quase três vezes maior.
Com isso, a concentração de renda voltou a se intensificar. Em 2025, os 10% mais ricos ficaram com 40,3% de toda a massa de rendimentos familiares do Brasil — percentual superior ao acumulado pelos 70% dos brasileiros com menores rendimentos.
Outro indicador revela que a renda média dos 10% mais ricos equivalia a 13,8 vezes a renda dos 40% mais pobres. Em 2024, essa diferença era de 13,2 vezes.
Apesar da piora recente, o cenário de longo prazo ainda aponta melhora relativa para as camadas mais pobres da população. Desde 2019, o rendimento dos 10% mais pobres acumulou crescimento real de 78,7%, enquanto entre os mais ricos o aumento foi de 11,9%.
O governo federal atribui essa melhora estrutural ao fortalecimento do mercado de trabalho, à política de valorização do salário mínimo e à ampliação dos programas de transferência de renda nos últimos anos.
Paradoxalmente, a desigualdade cresceu justamente em um momento em que a renda média dos brasileiros alcançou o maior patamar da série histórica.
De acordo com o IBGE, o rendimento médio mensal real chegou a R$ 3.367 em 2025, representando crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior. O rendimento domiciliar per capita também atingiu recorde, chegando a R$ 2.264 mensais.
O estudo ainda mostra que 67,2% dos 212,7 milhões de habitantes do país declararam possuir algum tipo de rendimento, maior percentual já registrado pelo instituto.
Mesmo com os avanços acumulados desde a pandemia, o IBGE alertou que o Brasil continua entre os países com níveis de desigualdade “bastante acentuados”, refletindo uma histórica concentração de renda que ainda limita o desenvolvimento social e econômico do país.



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