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| Arquivo/Agência Brasil |
A primeira edição da Prova Nacional Docente, conhecida como “Enem dos Professores”, revelou um cenário preocupante para a formação de educadores no Brasil. Dados divulgados nesta quarta-feira (20) pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que 35% dos 760,1 mil participantes não alcançaram o nível básico de proficiência exigido pelo exame. Isso significa que cerca de 266 mil professores apresentaram desempenho considerado insuficiente.
O quadro é ainda mais grave na área de matemática, em que mais da metade dos candidatos não atingiu o desempenho mínimo esperado. O exame poderá ser utilizado por redes públicas de ensino em processos seletivos e concursos para contratação de docentes.
Os resultados foram apresentados pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, juntamente com o balanço do Enade das Licenciaturas 2025, avaliação que mede a qualidade da formação de professores no ensino superior.
Formação a distância concentra piores resultados
Os números evidenciam forte desigualdade entre cursos presenciais e cursos de educação a distância (EaD). Entre os concluintes de licenciaturas na modalidade EaD, apenas 47% conseguiram desempenho acima do básico. Nos cursos presenciais, o índice alcançou 74%.
Segundo os dados do MEC, 53,1% dos estudantes formados em licenciaturas EaD tiveram desempenho insuficiente. Em contrapartida, 73,9% dos concluintes de cursos presenciais foram considerados proficientes.
As maiores fragilidades aparecem justamente em áreas estratégicas para a educação básica, como matemática e letras (português-inglês). Nesses cursos, sete em cada dez estudantes formados em licenciaturas EaD não conseguiram desempenho acima do básico.
Atualmente, 60% dos concluintes de licenciaturas no país estudam em cursos a distância, enquanto 40% estão na modalidade presencial.
Mais de um terço dos cursos tiveram notas baixas
O Conceito Enade, indicador oficial de qualidade do ensino superior, classifica os cursos em escala de 1 a 5. Os conceitos 1 e 2 são considerados insatisfatórios.
Dos 4.547 cursos de formação de professores avaliados:
- 56,8% alcançaram desempenho satisfatório (conceitos 3, 4 e 5);
- 31,9% ficaram nas faixas mais altas (4 e 5);
- 35% dos cursos receberam notas 1 ou 2.
Entre os cursos mal avaliados, a predominância foi da modalidade a distância. Dos 1.730 cursos com desempenho insatisfatório:
- 682 eram EaD;
- 1.048 presenciais.
Na prática, isso significa que seis em cada dez cursos de licenciatura EaD receberam as notas mais baixas do indicador federal.
Universidades públicas lideram desempenho
O levantamento também aponta superioridade das instituições públicas nos resultados do Enade das Licenciaturas 2025.
Percentual de concluintes considerados proficientes:
- 75,9% nas universidades públicas federais;
- 73,3% nas estaduais;
- 70,8% nas comunitárias;
- 46,5% nas instituições privadas.
Os dados reforçam o debate sobre qualidade da formação docente no país, especialmente diante da expansão acelerada dos cursos privados de educação a distância nos últimos anos.



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