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sábado, 30 de maio de 2026

Governo Lula reage a decisão dos EUA sobre facções criminosas e acusa bolsonaristas de incentivar interferência estrangeira

O Governo brasileiro afirmou hoje que a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode afetar o sistema financeiro nacional e inovações como o PIX.

Imagem: Bruno Peres/Agência Brasil


O Governo Federal reagiu à decisão dos Estados Unidos de classificar as duas maiores facções criminosas do Brasil como organizações terroristas e afirmou que medidas unilaterais adotadas por autoridades estrangeiras podem comprometer a cooperação internacional no combate ao crime organizado, além de afetar a soberania nacional e a economia brasileira.


Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o Executivo destacou que o Brasil mantém um “combate permanente” contra facções criminosas e milícias, mas ressaltou que o terror promovido por esses grupos tem como objetivo o lucro obtido por meio de atividades ilícitas, não podendo ser confundido com ações motivadas por razões ideológicas, políticas ou religiosas, características associadas ao terrorismo internacional.


O comunicado também criticou integrantes da família Bolsonaro por buscarem apoio de autoridades norte-americanas para questões relacionadas à política interna brasileira.


“É deplorável que, mais uma vez, integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil”, afirmou o governo.


Embora não cite nominalmente o senador Flávio Bolsonaro (PL) nem o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos, a nota foi interpretada como uma resposta direta à atuação dos dois políticos junto ao governo norte-americano.


Nesta semana, Flávio Bolsonaro reuniu-se em Washington com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Durante os encontros, defendeu que as principais facções criminosas brasileiras fossem enquadradas como organizações terroristas.


Segundo o Palácio do Planalto, medidas adotadas sem coordenação com o governo brasileiro podem enfraquecer o enfrentamento ao crime organizado e gerar riscos à população.


“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com os crimes”, diz a nota.


O governo argumenta ainda que eventuais sanções podem prejudicar mecanismos de cooperação internacional, afetar o compartilhamento de informações entre forças de segurança e causar impactos econômicos. Entre os exemplos citados está o PIX, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central.


De acordo com o comunicado, iniciativas brasileiras como o PIX podem ser alvo de interesses estrangeiros. O sistema entrou na mira de autoridades norte-americanas em 2025 durante uma investigação comercial que apontou supostas distorções concorrenciais em relação a grandes operadoras de cartões de crédito.


Enquanto isso, o modelo brasileiro tem sido observado com interesse por autoridades europeias. O Parlamento Europeu já manifestou apoio ao sistema, considerado uma referência para discussões sobre a implementação do euro digital.


O Palácio do Planalto informou ainda que apresentou ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, em abril, uma proposta de cooperação baseada em inteligência, combate à lavagem de dinheiro e repressão ao tráfico internacional de armas.


A nota reforça que o Brasil está aberto à colaboração internacional para combater organizações criminosas, mas rejeita iniciativas que possam comprometer sua autonomia.


“A soberania nacional é inegociável”, conclui o documento.


Mais cedo, durante agenda em Sergipe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou Flávio Bolsonaro como “traidor da pátria” e afirmou que o Brasil não aceitará ser tratado como uma “republiqueta” pelos Estados Unidos.


Também nesta sexta-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin criticou os possíveis efeitos da decisão norte-americana. Segundo ele, a medida pode provocar consequências econômicas sem contribuir efetivamente para o combate ao crime.


“Isso é ruim para o Brasil. Pode ter consequências na área do sistema financeiro, na área da economia. Não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia”, declarou.


O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que pretende classificar as duas maiores facções criminosas brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) e Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs), ampliando sanções financeiras e restrições internacionais contra os grupos.


A medida deverá entrar em vigor em 5 de junho.

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