| Foto Vatican Media HANDOUT/EPA |
O Papa Leão XIV afirmou nesta sexta-feira, no Vaticano, que a relação entre educação, saúde mental e tecnologias digitais representa um dos desafios mais urgentes e decisivos da atualidade. A declaração foi feita durante encontro com participantes de um seminário promovido pela Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI), pela Pontifícia Comissão para a América Latina e pelo Dicastério para a Cultura e a Educação.
Em seu discurso, o pontífice observou que as novas gerações dispõem de ferramentas tecnológicas cada vez mais avançadas, mas enfrentam dificuldades para encontrar sentido para a vida, cultivar a esperança e construir relações humanas profundas.
“Muitos jovens possuem instrumentos tecnológicos cada vez mais sofisticados, mas custa-lhes encontrar um sentido para viver, esperar, amar e inclusive sofrer”, afirmou.
Leão XIV destacou a necessidade de responder às inquietações existenciais que, segundo ele, estão por trás de muitos casos de sofrimento psicológico entre os jovens. Entre os questionamentos citados pelo Papa estão dúvidas sobre o propósito da vida e a possibilidade de confiar no futuro.
“Tem a minha vida algum sentido? Existe uma esperança fiável para o futuro?”, exemplificou.
O líder da Igreja Católica também alertou para os efeitos de uma cultura marcada pelo desempenho e pela competitividade excessiva. Segundo ele, muitos jovens vivem sob a pressão constante das expectativas sociais e profissionais, o que contribui para o aumento da ansiedade, do medo do fracasso e da desorientação.
“Vivem imersos numa competitividade exasperada que gera ansiedade, medo de não estar à altura e desorientação”, observou.
Para o Papa, a questão da saúde mental não pode ser tratada apenas sob uma perspectiva clínica ou técnica. Ele defendeu a importância de promover a vida interior como elemento fundamental para o equilíbrio emocional e humano das novas gerações.
“Não basta conectar os jovens às redes digitais, se estão desconectados de si próprios, dos outros e da sua própria interioridade”, afirmou.
Leão XIV ressaltou que cultivar a vida interior significa incentivar o silêncio, a reflexão, a capacidade de formular perguntas profundas, fortalecer os vínculos humanos e abrir espaço para a transcendência.
Ao concluir sua reflexão, o pontífice sintetizou a diferença entre o papel das ferramentas digitais e o processo educativo.
“A tecnologia conecta-nos, mas a educação forma-nos”, declarou.


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