Em 2024, o percentual estimado de sub-registro foi de 0,95% dos nascimentos ocorridos no ano, o menor da série histórica iniciada em 2015, e a primeira vez que o indicador nacional esteve abaixo de 1%.
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| Com taxa de sub-registros de 0,95%, Brasil fica ainda mais próximo à meta de cobertura universal de registro de nascimentos - Foto: Pexels |
O Brasil registrou, em 2024, a menor taxa de sub-registro de nascidos vivos desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2015. Segundo as Estimativas de Sub-Registro de Nascimentos e Óbitos divulgadas nesta terça-feira (20), o índice caiu para 0,95%, ficando pela primeira vez abaixo de 1%.
Em 2015, a taxa era de 4,21%, o que representa uma redução de 3,26 pontos percentuais ao longo da década. O levantamento mede a diferença entre o número estimado de nascimentos e aqueles efetivamente registrados em cartório.
Os dados também mostram avanço na cobertura dos registros de óbitos. Em 2024, a taxa estimada de sub-registro de mortes foi de 3,40%, contra 4,89% em 2015. O índice corresponde a uma cobertura de 96,6% do sistema de Estatísticas do Registro Civil.
Norte e Nordeste concentram maiores índices
Apesar da melhora nacional, o estudo aponta fortes desigualdades regionais. As maiores taxas de sub-registro de nascimentos foram verificadas em estados das regiões Norte e Nordeste.
Os maiores percentuais ocorreram em Roraima (13,86%), Amapá (5,84%), Amazonas (4,40%), Piauí (3,98%) e Sergipe (3,10%).
Em contraste, os menores índices foram registrados no Paraná (0,12%), Distrito Federal (0,13%), São Paulo (0,15%), Rio Grande do Sul (0,21%) e Minas Gerais (0,23%).
Segundo o IBGE, fatores como infraestrutura de saúde, presença de cartórios, população rural, indígena e quilombola, além das desigualdades socioeconômicas, influenciam diretamente os resultados.
No caso dos óbitos, a desigualdade regional foi ainda mais acentuada. O Maranhão apresentou a maior taxa de sub-registro do país, com 24,48%, seguido por Amapá (17,47%), Piauí (16,15%), Pará (16,10%) e Roraima (10,91%).
Já os menores percentuais foram observados no Rio de Janeiro (0,14%), Distrito Federal (0,17%), Paraná (0,56%) e São Paulo (0,65%).
Hospitais apresentam menores índices
Os dados indicam que os menores percentuais de sub-registro ocorrem em eventos realizados em unidades de saúde.
Entre os nascimentos ocorridos em hospitais, o índice caiu de 3,94% em 2015 para 0,83% em 2024. Nos demais estabelecimentos de saúde, a taxa recuou de 6,83% para 2,23%.
As quedas mais expressivas ocorreram em partos realizados fora de unidades hospitalares. Nos nascimentos domiciliares, o sub-registro caiu de 24,32% para 9,26% no período. Em outros locais, passou de 35,14% para 19,35%.
No caso dos óbitos, os menores índices também foram registrados em hospitais (2,85%) e em outros estabelecimentos de saúde sem internação (2,55%). Para mortes ocorridas em domicílio, a taxa ficou em 4,76%.
Mortalidade infantil segue com maiores taxas de sub-registro
A pesquisa mostra que os maiores percentuais de sub-registro de óbitos estão concentrados entre crianças.
Entre menores de um ano, a taxa foi de 10,80%. Na faixa de 1 a 4 anos, o índice atingiu 7,74%.
A mortalidade infantil apresentou taxas mais elevadas nas regiões Norte (26,55%) e Nordeste (17,58%). Os menores percentuais foram observados no Sudeste (2,67%), Sul (2,96%) e Centro-Oeste (5,86%).
Segundo o IBGE, a melhora gradual dos indicadores ao longo da série histórica reflete avanços na integração entre sistemas de saúde e registro civil, ampliação do acesso aos serviços públicos e modernização dos mecanismos de notificação e registro no país.
Informações da Agência IBGE




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