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| Com alta de 13,66%, leite longa vida foi o alimento que mais impactou a inflação de abril - Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias |
A inflação oficial do país desacelerou em abril, mas os preços de alimentos, medicamentos e combustíveis continuaram pressionando o orçamento das famílias brasileiras. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, ficou em 0,67% no mês, abaixo do resultado de março, que havia sido de 0,88%.
Apesar da desaceleração, a inflação acumula alta de 2,60% no primeiro quadrimestre do ano e chegou a 4,39% nos últimos 12 meses.
O grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pela pressão inflacionária em abril. Com alta de 1,34%, o segmento respondeu sozinho por 0,29 ponto percentual do índice geral. Entre os produtos que mais subiram estão a cenoura (26,63%), o leite longa vida (13,66%), a cebola (11,76%), o tomate (6,13%) e as carnes (1,59%).
Por outro lado, alguns itens apresentaram redução de preços, como o café moído (-2,30%) e o frango em pedaços (-2,14%).
A alimentação consumida em casa registrou aumento de 1,64%, enquanto a alimentação fora do domicílio teve alta de 0,59%. O preço do lanche desacelerou de 0,89% em março para 0,71% em abril, enquanto as refeições passaram de 0,49% para 0,54%.
No acumulado do primeiro quadrimestre, o grupo Alimentação e bebidas soma alta de 3,70%, acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, em 2025 houve forte impacto das altas do café e do tomate, enquanto o café vem apresentando quedas mensais desde julho daquele ano.
Outro grupo que teve forte impacto foi Saúde e cuidados pessoais, que subiu 1,16% em abril, contribuindo com 0,16 ponto percentual no índice geral. Os produtos farmacêuticos aumentaram 1,77%, após autorização do reajuste de até 3,81% nos medicamentos a partir de 1º de abril. Já os artigos de higiene pessoal subiram 1,57%, com destaque para o perfume, que avançou 1,94%.
No grupo Habitação, a alta foi de 0,63%, impulsionada principalmente pelo aumento do gás de botijão (3,74%) e da energia elétrica residencial (0,72%). Diversas capitais registraram reajustes tarifários nas concessionárias de energia, entre elas Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Fortaleza, Aracaju e Campo Grande.
Já o grupo Transportes apresentou forte desaceleração, passando de 1,64% em março para apenas 0,06% em abril. O principal fator foi a queda de 14,45% nas passagens aéreas. Também houve redução nas tarifas de ônibus urbanos em várias capitais devido à adoção de gratuidades e descontos aos domingos e feriados.
Mesmo assim, os combustíveis continuaram pressionando a inflação. A gasolina subiu 1,86% em abril e permaneceu como o item de maior impacto individual no IPCA do mês, respondendo por 0,10 ponto percentual. O óleo diesel avançou 4,46% e o etanol, 0,62%, enquanto o gás veicular recuou 1,24%.
Entre as capitais pesquisadas, Goiânia apresentou a maior inflação do país em abril, com alta de 1,12%, influenciada pelo aumento da gasolina e da taxa de água e esgoto. Já Brasília teve a menor variação, de apenas 0,16%, beneficiada pela queda das passagens aéreas e da gasolina.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado como referência para reajustes salariais e benefícios, ficou em 0,81% em abril, abaixo dos 0,91% registrados em março. O índice acumula alta de 2,70% no ano e de 4,11% nos últimos 12 meses.
No INPC, São Luís registrou a maior alta do país, com 1,16%, pressionada pelo aumento do gás de botijão e dos artigos de higiene pessoal. Brasília novamente apresentou a menor variação, de 0,09%, influenciada pela queda das passagens aéreas e do transporte urbano.




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