Dario Durigan afirma que proposta em debate no Congresso busca ampliar descanso e qualidade de vida sem reduzir renda dos trabalhadores.
O Ministério da Fazenda defendeu, nesta quarta-feira (6), o fim da escala de trabalho 6x1 como uma agenda necessária diante das transformações no mundo do trabalho. A posição foi apresentada pelo ministro Dario Durigan durante participação no programa “Bom Dia, Ministro”.
Segundo ele, a discussão reflete mudanças estruturais impulsionadas por avanços tecnológicos e aumento da produtividade. “Estamos reconhecendo que o mundo avançou, as pessoas estão mais produtivas, há ganhos digitais, de comunicação e é preciso reconhecer sem passar a conta para a população”, afirmou.
Garantia de salários
Durigan destacou que qualquer proposta a ser aprovada pelo Congresso Nacional deverá assegurar a manutenção da renda dos trabalhadores.
“Vamos fazer questão de incluir, em qualquer medida que seja aprovada no Congresso, a proteção à não redução de salário. Não vai haver redução de salário”, disse o ministro.
De acordo com ele, o compromisso do governo é melhorar as condições de trabalho sem prejuízo financeiro, especialmente para as faixas de renda mais baixas.
Impacto social
O ministro ressaltou que a escala 6x1 ainda atinge uma parcela significativa da população. Segundo ele, cerca de três em cada dez trabalhadores estão nesse modelo, sendo que a maioria recebe até dois salários mínimos.
“Estamos falando de 80% que ganham até dois salários mínimos. É o trabalhador de mais baixa renda. Quem tem mais alta renda está conseguindo escalas mais razoáveis”, afirmou.
A proposta, segundo Durigan, busca permitir a transição para jornadas com mais tempo de descanso, ampliando a qualidade de vida e o convívio familiar.
Diálogo com setores produtivos
Durigan também enfatizou que o governo mantém diálogo com diferentes setores da economia para equilibrar interesses.
“O que me compete é fazer esse equilíbrio delicado entre vários interesses e estou sempre apto e disposto a fazer esse diálogo com todo mundo”, afirmou.
Produtividade e crédito
No campo econômico, o ministro defendeu políticas voltadas ao aumento da produtividade, em vez da ampliação de benefícios fiscais. Entre as medidas citadas estão o acesso a crédito mais barato, especialmente para pequenas empresas, e investimentos em capacitação profissional e digital.
Ele mencionou programas como o Desenrola e o fortalecimento de fundos garantidores como instrumentos para facilitar o crédito e estimular a atividade econômica.
Simplificação tributária
Durigan também abordou a necessidade de reduzir a burocracia no sistema tributário, com destaque para o Imposto de Renda. Segundo ele, o avanço das declarações pré-preenchidas pode levar, no futuro, à dispensa da própria declaração.
“Sou a favor de um Estado eficiente, que cumpra seu papel, mas que tenha menos burocracia, tome menos o tempo desse trabalhador”, afirmou, acrescentando que o modelo atual precisa ser adaptado às novas dinâmicas digitais.


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