Anna Rúbia Pirôpo, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Unime Anhanguera, explica novo sentimento psicológico ligado aos impactos do uso exacerbado da tecnologia na rotina
De acordo com um levantamento da Common Sense Media, o Brasil lidera o ranking mundial de tempo gasto em smartphones, com 5 horas e 30 minutos diários, contra 4 horas e 48 minutos da média global (Digital Turbine). Além disso, uma pesquisa recente feita pela nomophobia.com revelou que 60% dos brasileiros sentem ansiedade sem o celular, e 87% se consideram dependentes para atividades diárias. O Hospital das Clínicas de São Paulo (2014) estimou que 8 milhões de brasileiros – 4% da população – são viciados em internet.
Diante desse contexto há de se mencionar o termo: nomofobia. Nome pouco conhecido, refere-se a uma fobia que tem crescido em todo o mundo diante de uma população hiper conectada. De acordo com a coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Unime Anhanguera, Anna Rúbia Pirôpo, que também é neuropsicóloga, a Nomofobia trata-se do medo irracional de ficar sem o celular, este também é conhecido como síndrome da dependência digital.
Para Anna, o avanço tecnológico é um dos fatores que contribuem para a dependência.
“A cada dia surgem dispositivos com as mais altas tecnologias e amplo acesso. Com isso, a necessidade em estar sempre conectado é reforçada socialmente, pois através disso é possível além de compartilhar e receber as mais variadas informações e situações, resolver e atender demandas como: trabalho, estudos, entretenimento, compras, dentre outros. Com isso, cria-se o hábito em estar sempre conectado e “disponível”. A todo tempo somos reforçados a emitir esse comportamento e quando percebemos que estamos distantes dele é como se deixássemos de viver ou de estar conectado com o mundo”, explica a neuropsicóloga.
Neste cenário, a especialista salienta que essa sensação vem se tornando cada vez mais forte diante da tecnologia, assim como outras patologias que se originaram de novas tecnologias e/ou que foram reforçadas por essas novas tendências. “A Nomofobia se faz referência as sensações observadas “no modo off-line”, ou seja, na desconexão ou no medo dela. E a partir disso, as pessoas passam a sentir ansiedade, desconforto, nervosismo, angústia, pânico, além de sintomas físicos como aperto no peito, taquicardia e suor frio”.
Anna explica que a nomofobia é um fenômeno complexo e as causas e efeitos ainda estão sendo amplamente estudados. “No entanto, até o momento, acredita-se que seja uma combinação de fatores, como baixa autoestima, níveis elevados de ansiedade e impulsividade. Alguns sinais de alerta desse sentimento incluem a necessidade constante de ter um dispositivo para recarregar a bateria, o monitoramento constante do aparelho em busca de notificações, a dependência do celular mesmo em momentos inadequados, como perto da hora de dormir, a ansiedade, angústia e nervosismo que surgem quando o celular fica inutilizável por qualquer motivo, o medo de ficar desconectado e a restrição das atividades apenas a locais onde é possível manter a conexão”.
O diagnóstico da nomofobia utiliza critérios do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) para fobias específicas. Além disso, alguns estudiosos defendem que o termo seja incluído no DSM-V como uma entidade diagnóstica que representa um vício tecnológico, devido à semelhança dos sintomas com a síndrome de dependência de substâncias.
Os sintomas da dependência patológica incluem nervosismo, agitação, ansiedade, taquicardia, angústia, sudorese, medo, e podem afetar a saúde e o dia a dia da pessoa. Para auxiliar aqueles que são dependentes do celular e da tecnologia, a neuropsicóloga e docente da Anhanguera recomenda algumas dicas para diminuir o uso excessivo e reduzir os impactos na rotina, confira:
- Limitar o uso do celular, especialmente antes de dormir e ao acordar, para garantir uma boa qualidade de sono;
- Evitar o uso do celular durante as refeições, promovendo uma alimentação consciente;
- Desenvolver estratégias para restabelecer o contato com o mundo real, buscando interações interpessoais e limitando o uso de tecnologia nesses momentos;
- Quando necessário, procurar ajuda com profissionais especializados.
Anna Rúbia Pirôpo finaliza ressaltando que é inegável os benefícios da tecnologia, porém, é essencial encontrar o equilíbrio em seu uso para prevenir e minimizar possíveis impactos na saúde mental. Ela enfatiza a importância de não encarar os aparelhos tecnológicos como uma extensão de si mesmo e a necessidade de um uso consciente e responsável.


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