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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Processos podem levar até 6 anos na Justiça brasileira, aponta levantamento exclusivo

Estudo da EasyJur com mais de 2 milhões de processos mostra que ações de Contratos e Compliance duram 76,7 meses em média, enquanto acordos trabalhistas reduzem a tramitação em cerca de 20 meses




São Paulo, abril de 2026 — Um levantamento exclusivo realizado pela EasyJur, software jurídico especializado em gestão processual, revela que a duração de processos no Brasil pode variar drasticamente conforme a área do Direito, chegando a 76,7 meses em média em casos de Contratos e Compliance, o equivalente a mais de seis anos. Na outra ponta, ações previdenciárias registram média de 25,6 meses. A análise foi feita com base em mais de 2 milhões de processos históricos da plataforma, considerando apenas casos encerrados e com dados válidos de tramitação .

Os dados mostram que áreas tradicionalmente mais complexas e com maior valor envolvido tendem a concentrar os processos mais longos. É o caso do Direito Tributário, com média de 73 meses, e da Recuperação Judicial, com 50,5 meses. Já segmentos como Trabalhista e Previdenciário apresentam tempos mais curtos, com médias de 28 e 25,6 meses, respectivamente.


Segundo Vinicius Marques, CEO da EasyJur, a diferença reflete não apenas a natureza jurídica das ações, mas o comportamento das partes ao longo do processo. “Quando há mais valor em disputa, aumenta o incentivo para recorrer e prolongar a discussão. Isso impacta diretamente o tempo médio e torna algumas áreas estruturalmente mais demoradas”, explica.

O levantamento também evidencia um fator decisivo para a duração dos processos no Brasil. Na Justiça do Trabalho, por exemplo, acordos reduzem o tempo médio de tramitação em cerca de 20 meses em comparação com decisões judiciais. Enquanto ações encerradas por acordo levam em média 29,7 meses, processos julgados procedentes ou improcedentes ultrapassam 49 meses. No Direito Cível, a diferença é menor, mas ainda relevante, reforçando o papel da conciliação como mecanismo de eficiência.

Esse cenário ganha relevância em um momento em que a duração dos processos segue como um dos principais gargalos do Judiciário brasileiro. Segundo o relatório Justiça em Números 2025, do Conselho Nacional de Justiça, processos pendentes levavam, em média, 4 anos e 1  mês para tramitar; sem as execuções fiscais, esse prazo cairia para 2 anos e 4 meses. O dado reforça que a morosidade não está distribuída de forma uniforme e varia conforme o tipo de demanda, a área do Direito e o perfil do litígio. Nesse contexto, levantamentos setoriais ajudam escritórios e empresas a entenderem melhor onde estão os maiores riscos de demora e como transformar dados processuais em estratégia jurídica.

A evolução histórica dos dados reforça essa tendência de aumento de complexidade. Entre 2016 e 2024, o tempo médio de processos na área Cível saltou de 33,8 para 60,3 meses, enquanto na área Trabalhista houve maior volatilidade, com picos durante o período da pandemia e posterior redução. O movimento indica não apenas sobrecarga do sistema, mas também mudanças no perfil das disputas e na dinâmica processual ao longo dos anos.

Outro ponto que chama atenção é a desigualdade regional na duração dos processos. Em alguns estados, como a Paraíba, o tempo médio de ações cíveis chega a 125,6 meses, enquanto em outras localidades os prazos são significativamente menores. Essa variação evidencia como fatores estruturais, operacionais e de volume impactam diretamente a experiência do jurisdicionado.

Para Marques, o avanço da análise de dados deve se tornar cada vez mais central na estratégia jurídica. “O tempo de um processo deixou de ser apenas uma consequência do sistema e passou a ser uma variável estratégica. Quando advogados e empresas conseguem prever duração e entender padrões por área, região e tipo de resultado, eles passam a tomar decisões mais eficientes, seja para negociar, litigar ou estruturar melhor suas demandas”, afirma.

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