Mesmo com a redução do desemprego e o crescimento da renda em 2025, o Nordeste ainda enfrenta um problema estrutural no mercado de trabalho: mais de 22% da força de trabalho da região segue subutilizada. O índice, que reúne desempregados, trabalhadores com poucas horas de ocupação e pessoas desalentadas, alcançou 22,6% no quarto trimestre de 2025 — mais que o triplo da taxa oficial de desocupação regional, de 7,1%.
Os dados fazem parte do Boletim Macro Regional Nordeste, produzido pelo Centro de Estudos para Desenvolvimento do Nordeste do FGV IBRE, que aponta avanços recentes no emprego, mas destaca que a região continua marcada por informalidade, baixa produtividade e limitações históricas do dinamismo econômico.
Segundo o levantamento, o mercado de trabalho nordestino apresentou melhora consistente ao longo dos últimos anos. A taxa de desemprego caiu de 10,9% no quarto trimestre de 2022 para 7,1% no mesmo período de 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. Ainda assim, o indicador permanece acima da média nacional, que ficou em 5,1%.
A pesquisa mostra também que o rendimento médio do trabalhador nordestino aumentou 5,8% em termos reais na comparação anual, alcançando R$ 2.498 mensais no fim de 2025. A massa de rendimentos do trabalho na região chegou a R$ 57,8 bilhões, maior valor da série histórica.
Apesar disso, os pesquisadores alertam que os indicadores positivos convivem com entraves estruturais. O boletim destaca que a economia nordestina ainda depende fortemente do setor público, possui baixa escolaridade média e apresenta produtividade inferior à média nacional.
O documento aponta que a redução da subutilização exige políticas públicas específicas, sobretudo para combater o desalento — situação em que trabalhadores desistem de procurar emprego — e ampliar a diversificação produtiva regional. Segundo o estudo, o problema é agravado pela falta de dinamismo econômico relativo do Nordeste em comparação com outras regiões do país.
Os dados econômicos revelam um cenário heterogêneo. Embora o Nordeste tenha registrado crescimento de 2,4% em 2025, praticamente em linha com a média nacional de 2,5%, a indústria regional teve retração de 0,8% no ano, enquanto o setor de serviços continuou sustentando a atividade econômica.
No Rio Grande do Norte, por exemplo, a indústria acumulou queda de 11,6% em 2025, uma das maiores retrações da região. Em contrapartida, o comércio varejista potiguar cresceu 4,7% no acumulado do ano, enquanto o setor de serviços avançou 2,9%.
O boletim conclui que, embora o Nordeste tenha mostrado resiliência diante dos juros elevados e das dificuldades fiscais nacionais, o avanço sustentável do mercado de trabalho depende de investimentos capazes de modernizar e diversificar a estrutura produtiva regional, reduzindo a dependência de atividades de baixa complexidade e baixa remuneração.


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